A deputada do PSD Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, pediu hoje a palavra nas jornadas da bancada social-democrata, em Santarém, para perguntar onde está a estratégia de política económica no Orçamento do Estado para 2016.

"Normalmente, um Orçamento do Estado é ou deve ser um elemento fundamental na definição da estratégia de política económica. Eu queria saber se na versão atual do Orçamento conseguem descortinar alguma", perguntou a ex-ministra, provocando alguns sorrisos.

Maria Luís Albuquerque colocou esta questão aos economistas João Moreira Rato e António Nogueira Leite, oradores convidados das jornadas parlamentares do PSD, num painel de debate intitulado "Finanças saudáveis: país credível e atrativo".

Na resposta, Nogueira Leite começou por dizer que, "por vezes, não ter estratégia pode ser estratégia".

O ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos considerou que, "essencialmente, o que há é um Orçamento que põe dúvidas quanto à sua exequibilidade", concluindo: "Eu não consigo perceber a lógica, sou franco".

Moreira Rato questionou igualmente "qual é a direção realmente das reformas", defendendo que "é necessário manter o ímpeto reformista nas políticas públicas de maneira a se poder chegar a crescimentos mais elevados", tendo em vista a redução da dívida pública.

Segundo o ex-administrador do BES/Novo Banco, o atual crescimento "é bastante desapontante", se comparado com outros países, como a Irlanda ou Espanha.

"Este crescimento ténue já foi visto no passado e corre o risco de se colar a Portugal. Pode ser visto como incapacidade do país, e isso não é bom", advertiu o antigo presidente da agência de gestão de dívida pública.