A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque sublinhou que «não é responsável» estar a proceder a descidas de impostos a esta altura. Em entrevista à TVI, a governante garantiu que é desejo do Governo começar, «logo que possível», a descida de impostos pelo IRS, mas admite que «não é razoável fazer uma previsão de quando poderá isso acontecer».

«É essencial conseguir a disciplina das contas públicas»

«Há ainda muito caminho a percorrer, passámos por uma crise de uma profundidade e gravidade como não víamos há décadas, mas estamos hoje melhor do que estávamos», afirmou.

E acrescentou: «A intenção é de logo que possível começar essa descida [de impostos] pelo IRS, mas não é responsável fazer previsão de quando pode acontecer, porque temos um compromisso, primeiro, com a saida do programa [de ajustamento], mas depois temos de cumprir os nosso compromissos com a zona euro».

A governante insistiu na ideia de que é necessário realizar um processo de ajustamento da despesa que seja «duradouro e sustentado».

«A recuperação ocorrerá, mas as pessoas não podem ter a expectativa de voltar ao que era nesse sentido, porque o que era não existe. A realidade que tínhamos antes em boa parte era uma ilusão de prosperidade e essa realidade não existe», admitiu.

Questionada sobre a hipótese dessa descida de impostos ocorrer em 2015, uma data que a própria governante já avançado como possível, Maria Luís Albuquerque não se quis comprometer, à semelhança do que fez Pires de Lima e o próprio primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Quanto ao pós-troika e à estratégia que Portugal terá de delinear para voltar em pleno aos mercados, que pode passar por um programa cautelar, Maria Luís Albuquerque afirmou: «Não há razões para nos comprometermos demasiado cedo com a opção».