A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, vai ser esta quinta-feira ouvida na comissão parlamentar do Orçamento e Finanças sobre as nomeações para a administração do Banco Espírito Santo (BES), na sequência de um requerimento apresentado pelo Bloco de Esquerda.

A audição da governante está agendada para as 15:30 e será uma oportunidade para os deputados dos vários grupos parlamentares se inteirarem sobre a situação vivida no banco e no Grupo Espírito Santo (GES), e quais as suas implicações para o restante setor bancário e para a economia portuguesa.

Uma matéria incontornável passa pelas nomeações de Vítor Bento (ex-presidente da SIBS), José Honório (antigo presidente da Portucel) e João Moreira Rato (ex-presidente do IGCP) para os cargos de, respetivamente, presidente executivo, vice-presidente da comissão executiva, e administrador financeiro do banco.

A tomada de posse destes responsáveis, que estava apontada para ocorrer no final do mês, foi antecipada numa tentativa de acalmar os mercados, pelo que já estão em funções e a sua cooptação será objeto de ratificação na Assembleia-Geral extraordinária do BES, convocada para dia 31 de julho.

Já o deputado social-democrata e ex-juiz do Tribunal Constitucional Paulo Mota Pinto está proposto para presidente do Conselho de Administração (chairman) do BES.

Estas nomeações levaram a críticas dos partidos da oposição, que referem uma partidarização do BES.

Além de Maria Luís Albuquerque, os deputados também vão ouvir, devido à situação existente no GES, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares.

Todos os grupos parlamentares aprovaram a chamada dos três responsáveis à comissão do Orçamento, Finanças e Administração Pública.

Nas últimas semanas, foram sendo tornados públicos vários problemas em empresas da área não financeira do GES, que têm levantado receios de contágio ao BES, cuja gestão acabou de mudar de mãos.

O novo presidente executivo do BES, Vítor Bento, que substituiu o líder histórico Ricardo Salgado, disse na segunda-feira, dia em que entrou em funções, que a prioridade no banco é «reconquistar a confiança dos mercados» e pôr fim à especulação.

O Banco de Portugal já veio várias vezes a público garantir a solidez financeira do BES, e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, também já tranquilizou os depositantes do banco.