Numa carta de 10 de dezembro de 2014, enviada a Maria Luís Albuquerque, a Comissária Europeia da Concorrência sublinhava que o problema do Banif tinha vindo a ser adiado "devido à estabilidade financeira” e também "para não colocar em causa a saída de Portugal do Programa de Assistência Económica e Financeira".

Esta carta, a que a TSF teve acesso, foi escrita na sequência de uma reunião em Lisboa entre Margrethe Vestagen e Maria Luís Albuquerque. E deixa claro que o último plano de reestruturação do Banif, enviado à Direção-geral da Concorrência em outubro de 2014, não cumpria os requisitos necessários.

A carta explica ainda que a Comissão Europeia só não avançava com a uma investigação formal ao Banif porque o governo português se comprometia a apresentar um plano de reestruturação credível até março de 2015, o que acabou por não acontecer.

Num anexo à carta, Vestagen enviava linhas gerais para a reestruturação do banco, que passava exatamente pela divisão do Banif num "banco bom" e num "banco mau”.

A proposta da Comissão Europeia passava por restringir a atividade do Banif às ilhas, à grande Lisboa e a um número restrito de distritos, para manter uma base de depósitos viável.