Maria Luís Albuquerque rejeita as críticas do Governo e da esquerda em relação ao caso Banif, considerando "inaceitável" a ideia de que o anterior executivo PSD/CDS-PP não fez nada para resolver a situação do banco. A ex-ministra das Finanças argumentou, no Jornal das 8 da TVI, esta segunda-feira, que o seu governo fez "múltiplas tentativas" para vender o banco - uma solução que era, no seu entender, preferível, mas que não foi possível.

"Houve múltiplas tentativas para vender o banco, o que era preferível."


A anterior titular da pasta das Finanças destacou que "nenhum governo escolhe o momento da resolução de um banco", reiterando que essa é uma decisão que cabe à Autoridade da Resolução, que neste caso é o Banco de Portugal. "Não é possível a governo nenhum escolher momentos convenientes ou inconvenientes para fazer uma resolução", acrescentou.

"Acho inaceitável a ideia de que não fizemos nada. O que foi feito [agora] não foi o Governo que fez,  foi a Autoridade da Resolução, que em Portugal é o Banco de Portugal. Nenhum governo escolhe o momento da resolução de um banco, não cabe a um governo escolher."


Maria Luís Albuquerque sublinhou que a situação do Banif sempre foi "difícil", uma vez que a sua viabilidade sempre foi posta em causa pela União Europeia, mas salientou que "ficou surpreendida com os valores" divulgados pelo Governo, isto é, com a dimensão da injeção que o Estado teve de fazer na instituição.

Disse que estava consciente das "dificuldades" que o banco atravessava, mas também dos esforços que iam sendo feitos no sentido de uma reestruturação e das "múltiplas tentativas para a venda da participação do Estado".

Maria Luís Albuquerque lembrou os oito planos de reestruturação apresentados, que foram chumbados pela Comissão Europeia. E nesse sentido, frisou que não compreendia as palavras do atual ministro das Finanças, Mário Centeno, que acusou o executivo anterior de "inação".

"Eu não compreendo essa afirmação porque não sei o que é inação. Oito planos de reestruturação apresentados mostram que houve um esforço efetivo para que um plano de reestruturação fosse aprovado pela Comissão Europeia."


E garantiu que sempre incentivou a venda do banco o mais possível. 

"Recebi investidores que me procuraram, mostrámos sempre a melhor abertura. [...] Da parte que me cabia fiz os esforços para a venda do Banif nos últimos dois anos", defendeu.


Recusou, por isso, a ideia que seu governo tivesse escondido informação: "Não houve nunca nada debaixo do tapete".


Banco de Portugal: "Há um problema de supervisão"


A agora deputada do PSD disse que não tem razão nenhuma para retirar confiança ao governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, admitindo, no entanto, que há um problema de "supervisão" no sistema financeiro que deve ser analisado.

"Acho que há um problema de supervisão que se manifestou nos vários problemas do sistema financeiro e que deve ser analisado."

Maria Luís Albuquerque disse ainda que espera haja um acordo entre os diferentes partidos para que seja realizada uma comissão parlamentar de inquérito ao caso.

"Espero que haja acordo entre os partidos para que haja uma comissão de inquérito. Tenho todo o interesse em que esta questão seja esclarecida."


O Governo e o Banco de Portugal optaram pela venda do Banif ao Banco Santander Totta, por 150 milhões de euros, no âmbito da medida de resolução aplicada ao banco cuja maioria do capital pertencia ao Estado português, de forma a impedir a sua liquidação. A medida foi anunciada no domingo.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta segunda-feira que o resgate do Banif fará aumentar o défice de 2015 em mais de um ponto percentual do PIB. O impacto nas contas públicas será de 2,2 mil milhões de euros.

Também esta segunda-feira, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, o orçamento retificativo e apresentou o documento na Assembleia da República.