
A economista Maria João Rodrigues diz que a União Europeia deve prosseguir o equilíbrio orçamental, enquadrando esse objetivo num modelo que privilegia o crescimento e a convergência entre os países, ou a Europa corre o risco de desagregação, escreve a Lusa.
«Nós somos a favor de orçamentos mais equilibrados, mas associado a um verdadeira regulamentação do sistema financeiro, da estabilização da dívida pública na Europa e numa estratégia muito mais vasta de um novo modelo de crescimento e maior convergência», afirmou Maria João Rodrigues, em Lisboa.
A economista, que tem estado ligadas aos temas da União Europeia, de que já foi conselheira, falava na conferência «Crise da zona euro: Cenários para a Europa», organizada em conjunto pelo Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal (do Partido Socialista) e pela fundação Friedrich Ebert.
Os cenários para a Europa
Maria João Rodrigues apresentou as primeiras conclusões de um estudo que fez sobre a Europa do futuro, em que definiu quatro cenários distintos.
Num primeiro cenário, disse, há uma resposta «altamente insuficiente à crise zona euro» que se traduziria numa «reorganização da Europa, mas com disparidades crescentes» entre os Estados-membros.
Num segundo cenário, as perspetivas anteriores agravam-se e há uma «fragmentação e mesmo desintegração da Europa».
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Um terceiro cenário passa por um conjunto de Estados-membros, fugindo do risco de contaminação da crise, criarem o seu «próprio projeto de união orçamental e política» - um cenário que, assegurou Maria João Rodrigues, não é irrealista e que tem sido falado em alguns corredores europeus.
Por fim, o estudo coloca um cenário em que a Europa vai sair da crise com a «construção de uma verdadeira união orçamental e política na Europa que complementa a união económica e monetária», explicou.
Para Maria João Rodrigues, o primeiro cenário é aquele em que a Europa está, enquanto o segundo é «desejável», mas implica diversas mudanças na construção europeia, como «uma agência de dívida pública europeia, para mutualizar dívida pública dentro de alguns limites».
A ex-ministra de António Guterres defendeu ainda que a natureza desta crise tem várias razões e que não se deve apenas à necessidade de maior disciplina orçamental.
«Esta crise é um intricado de três crises. Uma crise do modelo do crescimento, uma crise do sistema financeiro sem precedentes e uma crise da construção europeia», afirmou.