A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, disse esta sexta-feira em Lisboa que, seguindo «à distância», confia nas soluções encontradas para o caso do Banco Espírito Santo.

Vestager participou no Congresso da Aliança dos Liberais e Democratas Europeus (ALDE) que decorre até sábado em Lisboa, vai encontrar-se com o governador do Banco de Portugal e já se reuniu com a ministra das Finanças, com quem abordou a situação do BES.

«Discutimos uma série de coisas. Estando eu há pouco tempo neste trabalho como comissária, as impressões que tenho à distância, apesar de toda a situação do BES ter sido uma infelicidade, [são que] as formas encontradas aqui para o solucionar foram muito promissoras, porque demonstraram que são possíveis de gerir», disse a comissária da Concorrência em conferência de imprensa.

Referindo-se ainda ao BES, Margrethe Vestager acrescentou que «a economia portuguesa estava saudável» e que não houve implicações nos mercados.

«Creio que isso foi muito bom porque, apesar de ainda existirem alguns problemas, Portugal já não está onde estava há três anos», disse Vestager, acrescentando que a Comissão Europeia está disponível para cooperar.

«Quando as questões colocadas sobre como a Comissão Europeia está a acompanhar o assunto (BES), é evidente que teremos toda a disponibilidade para cooperar no sentido do esclarecimento das questões. Temos perguntas de membros do Parlamento Europeu que podem ser respondidas de imediato, porque não temos nada para esconder nem nada que nos possa envergonhar», disse a comissária.

Quando questionada sobre a possibilidade de alargamento de prazos às instituições bancárias intervencionadas, Vesteger lembrou que há novas regras para os bancos que se encontram sob resgate, para que se possa garantir que não são os contribuintes que vão pagar, mas sim o próprio setor.

Quanto à TAP, a comissária europeia da Concorrência, questionada pelos jornalistas, rejeitou que a Comissão esteja a «forçar» o processo de privatização, uma vez que as regras europeias impedem os Estados de investirem nas companhias aéreas.

«Se isso é assim eu não sei. Por isso, a resposta é não», respondeu.

A dinamarquesa Margrethe Vestager, atual comissária europeia da Concorrência, foi vice-primeira-ministra, tendo anteriormente ocupado os cargos de ministra da Economia e do Interior do Governo de Copenhaga, entre 2011 e 2014.