Foi à chegada a um jantar com antigos colegas da Faculdade de Direito que o Presidente da República explicou a convocação do governador do Banco de Portugal para uma reunião em Belém, que aconteceu também esta sexta-feira, da parte da tarde. Embora o encontro não constasse da agenda oficial, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que não teve por base um dos temas mais mediáticos da semana, a Caixa Geral de Depósitos - sobre o qual, de resto, não quis responder aos jornalistas -, mas sim o Conselho de Estado do próximo dia 11 de julho.

"O Conselho de Estado sobre situação económica e financeira europeia e acho que é muito importante ouvir com antecedência o governador sobre o que se passa na Europa e sobre algumas decisões da próxima semana, alguns votos no final da semana que vem".

 
Questionado sobre se a capitalização da Caixa Geral de Depósitos e a comissão de inquérito que o PSD vai impor foram tema de conversa, Marcelo disse apenas que a reunião não teve "a ver" com isso. 
 
"Não me pronuncio [sobre a comissão de inquérito]. É competência de um órgão independente do Presidente da República. O Presidente ficaria muito mal se se pronunciasse contra ou a favor de uma comissão parlamentar de inquérito", afirmou.
 
E mais não quis dizer, apesar da insistência das perguntas, incluindo sobre o valor que tem sido noticiado para a capitalização da CGD, de 4.000 milhões de euros, e sobre as eventuais preocupações que o supervisor da banca lhe poderá ter transmitido.

"Não me vou pronunciar nesta altura sobre essa matéria". E mais não disse, apesar da insistência das perguntas.

Semana quente para a Caixa

Este encontro entre o Presidente e o governador do Banco de Portugal aconteceu numa semana em que a capitalização da Caixa Geral de Depósitos esteve no centro das atenções e em que o PSD anunciou que vai impor uma comissão de inquérito parlamentar sobre o banco. Sendo o Banco de Portugal o supervisor da banca, terá sido tema natural do encontro.

Os últimos desenvolvimentos sobre a capitalização da Caixa foram dados a conhecer pelo primeiro-ministro, António Costa, que confirmou que a Comissão Europeia vai fazer uma "avaliação" à capitalização da CGD. Não falou de auditorias, como foi noticiado pela TSF.

O porta-voz da Comissão, Ricardo Cardoso, disse à TVI que “deve ficar claro que a Comissão não é um auditor nem realiza auditorias”.

Certo é que Bruxelas não fechou a porta a um possível pedido de informação, que pode ser no âmbito de qualquer procedimento que o Banco Central Europeu venha a realizar. Um não fechar de porta que vai de encontro à tal “avaliação” de que fala o primeiro-ministro. Questionado pela TVI, o BCE não quis comentar.

Quanto ao inquérito parlamentar sobre o dossiê Caixa, António Costa mostrou-se surpreendido. "Não me passa sequer pela cabeça que pudesse ter havido algum tipo de comportamento ilícito que não tivesse sido detetado pelas autoridades regulatórias, pelas autoridades judiciárias ou pelo Governo anterior e que não tivesse tido consequências", afirmou o chefe de Governo a esse propósito.