O Presidente da República antecipou, esta quinta-feira, aquilo que poderá de algum modo tranquilizar o Conselho de Finanças Públicas que hoje mesmo elencou como "riscos relevantes" para o cumprimento do défice o aumento das despesas com pessoal, a recapitalização da CGD, a compensação aos lesados do BES e a incerteza.

Sobre os receios do Conselho de Finanças Públicas quanto às despesas com pessoal e, portanto, quanto à execução orçamental, Marcelo lembrou os números já disponíveis de maio, -  o défice caiu 453 milhões de euros até esse mês - e antecipou já que os números de Junho deverão ser positivos.

"Penso que brevemente já se saberá os de Junho, que já tem o pagamento do subsídio de férias. [Esses números] poderão talvez acalmar um pouco o Conselho de Finanças"

 
Sobre a Caixa Geral de Depósitos, recordou também que a  recapitalização "está a ser estudada com Bruxelas e Frankfurt". "Só será um problema se for um problema. Não vale a pena antecipar que é um problema porque ainda não se sabe qual é a posição europeia", disse aos jornalistas, durante uma visita ao Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, para inauguração de uma nova ala.
 

"Se a Europa entender que a recapitalização da Caixa não vai ao défice, não vai ao défice".

 

Sanções... e silêncio sobre Barroso

Marcelo Rebelo de Sousa teve esta quinta-feira a sua reunião semanal com o primeiro-ministro e esse encontro foi motivo de perguntas sobre em que pé está a resposta portuguesa ao processo das sanções por incumprimento do défice em anos passados.
 
"O Governo é que tem a responsabilidade dos contactos. O senhor primeiro-ministro já disse que o que ia fazer e que, de acordo com a última missão [dos técnicos europeus] não há derrapagem orçamental. Provavelmente é explicar o que está a ser feito para não haver risco de derrapagem orçamental, tal como a Comissão tem admitido. Penso que andará por aí, mas o Governo é que decide", rematou.

Recorde-se que o prazo que o Governo tem para contestar as sanções é de 10 dias a contar da decisão do Ecofin tomada na última terça-feira. Ou seja, tem até ao final da semana. Espanha - alvo do mesmo processo - foi mais rápida e já enviou os seus argumentos a Bruxelas.

O Presidente da República foi ainda questionado sobre a polémica que envolve o ex-presidente da Comissão Europeia e ex-primeiro-ministro português  Durão Barroso, sobre o seu novo trabalho como presidente não-executivo do Goldman Sachs.
 
Um caso alvo de uma chuva de críticas, até ao mais alto nível: a última do Presidente francês, François Hollande, para quem a ida de Barroso para aquele banco é "moralmente inaceitável". Marcelo nada teve a dizer: "Como imaginam, não vou comentar".