O Presidente da República marcou presença na conferência TVI/APB "O presente e o futuro do setor bancário", mas aproveitou igualmente para se referir à economia portuguesa no seu todo, voltando a deixar um apelo a Bruxelas sobre o défice e admitindo, ao mesmo tempo, que com o andar da carruagem em matéria de exportações, pode haver a necessidade de o Governo rever previsões. A acontecer, que seja "sem alarmismos", pede Marcelo Rebelo de Sousa.

A "reconversão particularmente atenta" no que toca às exportações, que estão "necessariamente dependente da evolução dos mercados de destino" é um fator crítico, este ano. Marcelo não nomeou países, mas sabe-se que o caso de Angola, dos principais destinos das exportações portuguesas, é paradigmático, com a brutal quebra dos bens que Luanda compra a Lisboa (o seu segundo maior fornecedor). 

Ora, isso pode ter "repercussões" no crescimento do PIB  "e seus reflexos financeiros", nota Marcelo, "obrigando a revisões de previsões, sem alarmismos, mas com lucidez, se a conjuntura se vier a manter".

No início do mês, o Governo reiterou que vai cumprir metas e descartou uma mudança de rumo, apesar de as previsões da Comissão Europeia, que não acredita nas projeções do Executivo socialista para a economia, prevendo que o PIB vai crescer menos que o previsto até 2017 e que o défice será mais elevado.

Frente a frente com Bruxelas

Já sobre a avaliação que a Comissão Europeia vai fazer, muito em breve, do défice de 2015 - estando em cima da mesa a possibilidade de aplicar sanções a Portugal -, o chefe de Estado disse na conferência que o país não merece isso. 

Partindo do pressuposto que o défice deva ficar "ligeiramente acima dos 3%" em 2015, "descontado o fator de uma determinada instituição bancária" - não disse, mas referia-se ao Banif, Marcelo Rebelo de Sousa espera "que isso não possa ser considerado como menor esforço feito" pelos portugueses. 

"Esforço que penso deve estar em mente dos decisores europeus quando se debruçarem sobre esta matéria" 

Daí este apelo a Bruxelas, com representantes das instituições europeias na sala, desde o Consehlo Único de Resolução, à Federação Bancária Europeia e ao Conselho de Supervisão do Mecanismo Único de Supervisão. 

A CGD e o banco mau

O Presidente espera que haja equilíbrio nos "eventuais conflitos" de ideias com a Europa, com "respeito convicto dos compromissos europeus", mas com uma Europa igualmente "sensata", esperando abertura, igualmente, para problemas nacionais como a capitalização da Caixa Geral de Depósitos.

Quanto ao problema do malparado em Portugal, mostrou-se favorável, tal como o primeiro-ministro, à criação de uma espécie de banco mau para libertar a os bancos desses ativos, embora com uma advertência associada: 

"Uma palavra para invocar a indispensabilidade de encontrar uma fórmula de olhar para uma realidade já hoje apontada de ativos não produtivos num sistema, fórmula essa que não implique avançar para modelos de duvidosa exequibilidade ou de custos incomportáveis"

O governador do Banco de Portugal, pelo menos nesta matéria, também está alinhado com António Costa.