O Presidente da República está à espera que a legislação sobre as chamadas barrigas de aluguer, aprovada na sexta-feira, chegue ao seu conhecimento para poder pronunciar-se. 

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que o debate sobre o tema não deve ser poupado, mas que, para já, não é da sua competência.

"Tudo o que está no Parlamento, pela própria natureza, deve ser objeto de debate no Parlamento e fora do Parlamento. Não cabe ao Presidente da República. O Presidente da República pode dizer que é bom debater, mas não se pode substistuir nem à sociedade civil, nem aos deputados, que têm a última palavra a dizer sobre a lei que está a ser votada"

O chefe de Estado referia-se, assim, à aprovação em votação final global do projeto do Bloco de Esquerda sobre legalização da gestação de substituição.

O projeto de lei do BE, que pretende permitir o recurso a outra mulher em casos de problemas de saúde que impeçam a gravidez, foi aprovado pela maioria de esquerda e por 24 deputados sociais-democratas, incluindo Passos Coelho.

No dia em que visitou a Aldeia SOS, em Bicesse, concelho de Cascais, para homenagear as famílias de acolhimento às crianças que lá vivem, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que "há várias formas de constituir família".

"Este é um exemplo que eu considero de solidariedade, de empenhamento cívico e dedicação de pessoas que quis homenagear no Dia da Família. O resto são leis que estão a ser feitas no Parlamento e o Presidente da República só se pronuncia sobre elas quando chegarem às suas mãos. Hão-de chegar e nessa altura pronuncio-me", indicou.

Recebido pelas crianças da Aldeia SOS, à chegada, distribuiu beijinhos aos mais novos e até aconselhou um deles a ser aspirante a Presidente da República.

"Sabes que não é nada fácil. Queres ir a Belém ver como é o meu trabalho? Então temos de combinar um fim de semana"

Depois, aos jornalistas, explicou que "o mais complicado é as pessoas às vezes não se conhecerem".

"Umas têm um ponto de vista, outras têm outro ponto de vista e como não falam muito acabam por não ter aproximações e depois quando começam a falar percebem que têm muito em comum. É preciso ultrapassar isso e fazer aproximar as pessoas. O que não é impossível, demora tempo, mas não é impossível", frisou.

No dia em que se decide o campeão nacional entre Benfica e Sporting, o futebol foi também tema de conversa com as crianças e, hoje, disse não ter clube. "O Presidente não pode ter clube. Sou de todos os clubes". Mas todos sabem que o coração de Marcelo bate pelo Sporting de Braga, que defronta os leões na hora do título disputado entre os dois clubes da capital.