Marc Roche, escritor e jornalista financeiro. O autor do livro «Banksters - Uma viagem ao submundo dos banqueiros» está de passagem por Portugal para divulgar a sua obra. Obra que, na versão portuguesa, dedica um capítulo introdutório ao caso BES. Marc aborda o caso BES e aponta o dedo ao governador do Banco de Portugal.

Em entrevista à «TSF», Marc Roche não poupa críticas a Carlos Costa: «Quando tem a responsabilidade pela supervisão dos bancos e não a faz da forma correta; quando sabe o que se passa num dos principais bancos portugueses, mas não faz perguntas aos seus amigos que gerem os bancos, porque está demasiado próximo deles, porque talvez as famílias se conheçam, porque talvez tenham andado na mesma escola, o que é que faz? O que é que faz, quando comete um erro como esse no seu trabalho? Ou no meu trabalho? Nós demitimo-nos ou somos despedidos. Mas aqui o governador continua como se nada se passasse. Ele é imoral».

Marc diz ainda que Carlos Costa «tem de assumir responsabilidade pela falta de controlo do banco» e que «com esta recusa em demitir-se, demonstra arrogância, que todos os atores da crise financeira têm em comum. É a mesma arrogância das pessoas do banco português que foi à falência», adianta.


País pequeno, grande escândalo

Segundo a «TSF», o jornalista acredita que, de certa forma, o caso do BES «foi pior do que o Lehman Brothers, Bank of Scotland, ou os Landesbanken na Alemanha, porque Portugal é um país pequeno. E este banco era muito grande para um pequeno país».

Em relação à atuação do governo neste processo, diz que a solução encontrada «como um todo, evita risco sistémico, evita contágio de colapso», mas não deixa de criticar «a proximidade entre políticos e banqueiros».

Para Marc Roche, referiu à «TSF», o problema do BES «simboliza na perfeição o que são os banksters, porque envolve sentimento de impunidade, uso de paraísos fiscais, operações camufladas, ligações a políticos, um fraco regulador e também um mau banco central».

Em entrevista à «Renascença», o escritor diz que «os bancos controlam os políticos, os banqueiros estão acima da lei e ninguém é condenado».