O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, apelou esta exta-feira em Lisboa ao investimento em França e afirmou que o seu país quer ter «uma presença ainda forte» em Portugal, por exemplo nas privatizações e concessão de serviços públicos.

«Venham investir em França», disse Manuel Valls, num encontro com a comunidade empresarial portuguesa, com o tema 'Agir em conjunto para o crescimento europeu', que decorreu esta sexta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, organizado pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e pela Câmara de Comércio e de Indústria Luso-Francesa.

O primeiro-ministro francês fez questão de deixar esta mensagem em português perante uma plateia de vários empresários, perante os quais destacou a importância das relações bilaterais entre os dois países a vários níveis, nomeadamente ao nível do investimento.

«Outros [investimentos de França em Portugal] são possíveis nas privatizações e concessão de serviços públicos. Queremos ter uma presença ainda mais forte de França em Portugal», frisou Manuel Valls, depois de dar o exemplo da compra da ANA pelo grupo francês VINCI, que classificou como «o maior investimento estrangeiro realizado em Portugal», ou o interesse da Numericable, através da Altice, na Portugal Telecom. 

O governante aproveitou a ocasião para sublinhar que as empresas francesas investem anualmente seis mil milhões de euros em Portugal, sendo a França o segundo investidor no país, sendo apenas ultrapassada por Espanha.

Em 2014, acrescentou, foi o segundo maior cliente e o terceiro fornecedor de Portugal, onde estão presentes 750 de empresas francesas, nomeadamente na indústria, setor automóvel, banca, serviços, correspondentes a 58 mil postos de trabalho e a 9,5 mil milhões de euros de vendas.

Por sua vez, Portugal tem cerca de 200 empresas portuguesas em França, que significam 3.500 postos de trabalho.
Por outro lado, para atrair o interesse de investidores, Valls adiantou que o seu executivo quer reduzir os custos de trabalho e da fiscalidade em 40 mil milhões de euros em três anos e acabou de baixar o IRC (imposto sobre as empresas).

«Para que as microempresas consigam ter lucros, agir em prol da competitividade, é preciso eliminar bloqueios e normas inúteis», disse, explicando que os empresários das Pequenas e Médias Empresas (PME) «têm medo de contratar pessoal devido a todos estes bloqueios».