Sem espanto, e considerando uma vez mais que "as projeções do Governo até são cautelosas", Manuela Ferreira Leite sustenta que as metas traçadas pelo ministro das Finanças para os próximos anos, até são alcançáveis.

Mário Centeno tem por objetivo um défice de 1% já no próximo ano, um saldo positivo das contas públicas em 2021 e um crescimento da economia superior a 2% na próxima década.

São as metas que o atual Governo se propõe atingir, tendo por ponto de partida o défice de 2016, "que está em 2%. Está! Mesmo que dê a sensação de poder ser efémero", como salientou a antiga ministra das Finanças, no seu comentário semanal na TVI24, onde lembrou que a acusação do recurso a medidas extraordinárias faz pouco sentido.

Quando se faz consolidação orçamental é inevitável que haja medidas de caráter extraordinário. Porque, no que respeita à receita, lançamos o imposto e temos nesse ano a receita. Mas, no que respeita à despesa, ela só aparece como cortada, às vezes, ao fim de muitos anos", referiu Manuel Ferreira Leite.

Considerando que "a despesa é muito difícil de reduzir", a antiga ministra lembrou, contudo, que o Estado terá de assumir nos próximos tempos, gastos "inevitáveis, em muitos serviços que estão muitíssimo depauperados". Subscreve "a correção das penalizações na reforma para pessoas que trabalham há mais de 40 anos", que acha "uma medida inteiramente justa", mas duvida que a integração de precários possa ser feita como pretendem os partidos à esquerda que apoiam o Governo.

O grande desafio que se põe ao Governo e oposições é, de que forma aquilo que é efémero se pode transformar em estrutural", salientou Ferreira Leite, para quem, as estimativas governamentais são plausíveis, "com uma condição: que haja crescimento. O que não tem havido nos últimso anos".

Não há crescimento se não houver uma redução de impostos, séria, tanto para as empresas como para as as famílias", defendeu a antiga ministra das Finanças, que aguarda para ver as anunciadas mexidas nos escalões do IRS.

Manuela Ferreira Leite equaciona assim, considerando que o défice tem uma relação percentual com a riqueza criada, ser fundamental concretizar algumas despesas inadiáveis, "essenciais, evitando as supérfluas", a par de "uma redução séria na receita" do Estado, "que pode levar a que o crescimento seja maior".

Admito contas positivas. Admito isso. Mas não vou dizer que vá resolver outro problema que temos, o da dívida", alertou a comentadora da TVI24.