O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), Manuel dos Santos Cardoso, renunciou ao cargo, segundo apurou a TVI.

O pedido, que terá sido realizado esta quinta-feira, já foi aceite pelo presidente da assembleia-geral do sindicato.  Manuel dos Santos Cardoso não terá apresentado motivos para a demissão.

O SPAC convocou esta quinta-feira novas eleições, que se vão realizar a 29 e 30 de junho e a 01, 02 e 03 de julho. A convocatória foi feita pelo presidente da mesa da assembleia-geral, Alfredo Mendonça, após a renuncia do presidente.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil convocou há quase uma semana uma assembleia-geral extraordinária para terça-feira, em Lisboa, para "apresentação e votação" de uma moção de confiança à direção.

De acordo com a convocatória publicada na imprensa, a moção de confiança é o ponto único da ordem de trabalhos da assembleia-geral, que decorrerá num hotel em Lisboa.

Fonte do SPAC disse na altura à Lusa que a reunião foi marcada devido "ao ruído que surgiu em torno da greve" de 10 dias dos pilotos da TAP e da Portugália, que decorreu entre 01 e 10 de maio.

A direção do sindicato sentiu necessidade de sentir o apoio dos seus associados para poder prosseguir com a estratégia com que foi eleita, referiu a mesma fonte.

O SPAC emitiu na sexta-feira uma declaração com outros sindicatos que representam trabalhadores do Grupo TAP, na qual se comprometem a lançar "todas as ações" necessárias para impedir a privatização da transportadora aérea.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), o SPAC e o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), que são os signatários da declaração, não especificaram quais as iniciativas que poderão ser concretizadas.

No documento, os sindicatos afirmaram que vão "exigir ao Governo e ao Conselho de Administração o fim da discriminação e o cumprimento dos respetivos Acordos de Empresa, no respeito pela Lei, e apelar à opinião pública e ao povo português para que se una de modo a parar, enquanto ainda é tempo, esta insensatez do Governo, que seria a entrega do Grupo TAP a uma entidade que seguramente o vai desmantelar, empobrecendo assim o país".

O Governo decidiu passar dois candidatos à compra da TAP à fase de negociação, afastando o consórcio de Miguel Pais do Amaral e continuando a negociar com Gérman Efromovich e David Neeleman.

O presidente do Sindicato dos Pilotos afirmou no final de abril, em entrevista à Lusa, que não tem "nada contra ou a favor da privatização” da TAP, considerando que a companhia “como está vai ter que ser reestruturada”, quer seja pública ou privada.

Segundo Manuel Santos Cardoso, “essa reestruturação vai sempre obrigar a haver reduções do número de trabalhadores”.

O comandante da TAP foi eleito presidente do SPAC em outubro e iniciou em meados de novembro o mandato de dois anos.