O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, disse esta terça-feira que, no âmbito das linhas de apoio às 'startups', existem "92 operações de investimento aprovadas".

O governante falava na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, no âmbito de uma audição regimental.

Nas linhas de apoio às 'startups', onde se incluem "não só os fundos de 'business angels', como de capital de risco, já estão todos a funcionar, estão todos aprovados com dinheiro para fazer investimentos", afirmou o ministro da Economia.

Já temos 92 operações de investimento aprovadas, já estão a realizar operações com 'startups' que estão na primeira fase ou em processo de aceleração de crescimento", acrescentou.

De acordo com dados do Ministério da Economia, existem 3.004 'startups' em incubação (1.983 incubação física e 1.021 incubação virtual).

A primeira fase do 'Startup voucher' contou com 245 projetos aprovados.

Segundo o ministério tutelado por Manuel Caldeira Cabral, foram criados 2.547 empregos por novas 'startups' nos primeiros 12 meses.

Relativamente às linhas Capitalizar, as micro e pequenas empresas tiveram acesso a mais de 2,1 mil milhões de euros de financiamento através das mesmas.

Até final de março, foram apoiadas mais de 22 mil empresas que representam mais de 300 mil postos de trabalho.

O programa Capitalizar, que visa incentivar a capitalização e autonomia financeira das empresas, contém 84 medidas, estando em execução 73.

Sobre os incentivos do Portugal 2020, o Ministério da Economia refere que até final de março foram lançados 93 concursos com uma dotação financeira de 4,25 mil milhões de euros.

Até à data foram aprovados mais de 12.200 projetos apresentados pelas empresas e pagos 1,45 mil milhões de euros. A meta anual é de 2.000 milhões de euros, sendo que 72% foi alcançado.

O programa Interface, que visa capacitar a indústria portuguesa através da investigação e inovação colaborativa entre empresas, ensino superior e centros interface, com o objetivo de promoção da competitividade e internacionalização, contou com 2.850 candidaturas com um investimento aprovado de 610 milhões de euros.

Segundo o ministério, destas candidaturas há 1.110 participações de empresas em projetos, sendo que mais de metade (60%) são pequenas e médias empresas (PME), 386 são instituições do ensino superior e 22 de centros interface.

A rede Espaço Empresa, que prevê a criação de pontos únicos de atendimento para empresas, conta com a participação de 33 autarquias e 26 instituições públicas, onde constam o IAPMEI, AMA e AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

 

Investidores aproveitam vistos 'gold' para fazer outras apostas

O ministro afirmou ainda que há investidores que entraram em Portugal através da compra de imobiliário, no âmbito dos vistos 'gold', e que depois “começaram a olhar para outro tipo de investimentos”.

Relativamente aos vistos 'gold', programa de captação de investimento que concede visto de residência a investidores fora do espaço europeu, o ministro da Economia destacou como "interessante" o facto de "muitos dos investidores que vieram fazer investimento imobiliário com acesso ao visto de residência, depois de se instalarem em Portugal, começaram a olhar para outro tipo de investimentos, outro tipo de oportunidades".

Ou seja, começaram a pensar em "trabalhar para o mercado europeu a partir do mercado nacional" e "começaram a restabelecer os seus investimentos aqui", em Portugal, afirmou o governante, salientando que esta tendência "não é uma questão apenas dos vistos 'gold'".

Manuel Caldeira Cabral disse ainda que nos três anos anteriores a este governo – entre 2013 e 2015 – "houve um aumento de cerca de 900 vistos 'gold' por ano".

Já o atual governo regista "um aumento de cerca de 1.400" desde que assumiu funções, prosseguiu.

"Estamos, de facto, com números claramente superiores aos registados anteriormente", disse, embora assumindo que quando o novo executivo assumiu funções o regime de Autorização de Residência para Atividade de Investimento (ARI), em vigor desde o dia 8 de outubro de 2012, "estava bastante paralisado", nomeadamente devido a processos judiciais em curso.

O ministro recordou que "havia nos serviços uma certa resistência em pegar os processos", que se estavam a acumular, e que o Ministério da Economia, tal como os Negócios Estrangeiros e a Administração Interna avançaram para acelerar o processo.

Os vistos 'gold' são uma área onde vai "continuar a haver desafios", considerou.