O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, afirmou esta quarta-feira que quem tinha interesse "em investir em Portugal há seis meses não perdeu interesse nos últimos três meses" e tem "confiança" no atual Executivo.

Manuel Caldeira Cabral falava na comissão conjunta de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa e da Economia, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para este ano, uma audição que durou seis horas e 35 minutos.

Quem tinha interesse em investir em Portugal há seis meses não perdeu esse interesse nos últimos três meses e concretizou ou está em vias de concretizar esses investimentos" porque, segundo o governante, tem "confiança no atual Governo".

Relativamente ao 'pipeline' [intenções de investimento] que a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) tem em carteira, Caldeira Cabral afirmou que numa reunião recente, entre vários ministérios, foi possível constatar a existência de "vários problemas de vários investimentos que lá estão parados", pelo que se trabalhou em "soluções" para que estes começassem a andar.

Caldeira Cabral disse que tem havido interesse em investimentos em áreas como tecnologias, aeronáutica, investigação ou grandes eventos, por exemplo.

Em resposta ao Partido Comunista, que falou sobre os táxis, os Uber, e a concorrência, o governante afirmou: "Concordo que temos de ter uma concorrência equilibrada, temos de ter igual requisito de legalidade para todos os intervenientes, temos de estar abertos a novas formas de concorrência, temos de ter consciência que não é por decreto que elas são anuladas".

E temos de trabalhar em todos os setores, e também no setor dos táxis, de transporte de passageiros, para que haja uma regulação que garanta que não haja evasão fiscal, que garanta que não há desigualdade na concorrência, mas que haja também uma regulação que não impeça novos tipos de serviços - penso que também os taxistas estão abertos -, que impeça que as pessoas possam ter melhores serviços e que serviços inovadores possam também entrar em Portugal", acrescentou.

O ministro reafirmou ainda que a Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), também conhecida como Banco de Fomento, "foi um projeto com uma intenção que ficou pelas intenções", o qual é para "reequacionar".

"Já referi que foi um projeto com uma intenção que ficou pelas intenções, é um projeto que temos de reequacionar", disse.

Relativamente à saída do presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, e a sua substituição por Luís Araújo, o ministro garantiu que "não há rutura nenhuma" e que se vai continuar "a fazer um bom trabalho" na instituição.

Houve uma vontade do presidente do Turismo de Portugal de sair e isso obrigou-nos a rever a equipa. Houve até um convite para que o presidente do Turismo integrasse uma outra estrutura, que ele declinou", afirmou.

"Penso que temos uma equipa reforçada, renovada", mas sem rutura, disse.

Sobre a descida do IVA na restauração, o governante considerou que "vai ser importante para o setor" e disse estar atento aos problemas levantados pela sazonalidade de emprego no turismo.