Cerca de 100 Inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) manifestaram-se esta terça-feira no Porto para reivindicar um estatuto profissional e melhores condições de trabalho, pedindo ainda a demissão do inspetor-geral por "falta de lealdade".

Empunhando bandeiras azuis da ASAE, ao som de apitos e buzinas, os inspetores, concentrados junto à Biblioteca Municipal Almeida Garrett, onde decorriam as comemorações do 10.º aniversário da ASAE, iam exibindo cartazes onde pediam "dignidade na carreira".

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Sindical dos Funcionários da ASAE (ASF-ASAE), Albuquerque do Amaral, referiu que a manifestação demonstra a "indignação" dos profissionais à forma como a tutela nega "reiteradamente" criar um estatuto de carreira profissional.

A falta de efetivos e meios são outras das reivindicações da associação sindical que, disse, "em quatro anos a ASAE perdeu mais de 40 inspetores".

Por sucessivas "falsas promessas", Albuquerque do Amaral pediu a demissão do inspetor-geral da ASAE porque demonstra "falta de dignidade e lealdade".

"O que o inspetor-geral faz é ludibriar os profissionais com falsas promessas e, por não merecer a nossa confiança, pedimos a sua demissão", frisou.

Hoje de manhã, em declarações na cerimónia comemorativa do 10.º aniversário da ASAE, que hoje decorre no auditório da biblioteca Almeida Garrett, no Porto, o inspetor-geral da ASAE, Pedro Portugal Gaspar, disse que pretende remeter em breve ao Governo uma proposta sobre o estatuto de carreira profissional e apontou a entrada de 22 novos inspetores em 2016.

"[O estatuto] é uma matéria que está dependente desde há dez anos, eu só cá estou há dois, mas em janeiro de 2014 apresentei uma proposta referente a essa matéria. Não foi possível aprová-la ao longo do último Governo. É um dossier que vou reabrir. Quem já apresentou uma [proposta], não tem problema em apresentar outra", afirmou.