O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, defendeu esta quinta-feira que as intenções do Governo, de retirar mais direitos aos trabalhadores, só serão travadas com a continuação da luta nos locais de trabalho, tanto no setor público como no privado.

«O determinante para pôr um travão nas intenções de Passos Coelho e Portas será a ação nos locais de trabalho numa luta que é não só dos trabalhadores do setor privado, público e das empresas do setor empresarial do Estado, mas também de todos os homens e mulheres que defendem um futuro de desenvolvimento e de harmonização social», disse o sindicalista.

Arménio Carlos falava para os milhares de manifestantes que encheram esta tarde o largo junto à Assembleia da República no final de uma manifestação nacional contra as alterações ao Código do Trabalho, que deverão ser hoje aprovadas no parlamento.

O líder da Intersindical acusou o Governo de ter «um projeto político que vê na exploração e no empobrecimento» um «objetivo para impor a continuação da brutal transferência de rendimentos de quem trabalha e trabalhou para o grande capital nacional e estrangeiro».

A redução dos salários e pensões, a manutenção do salário mínimo nos 485 euros, a redução das remunerações da função pública e o aumento de impostos foram algumas das questões alvo de críticas de Arménio Carlos.

«Sentimos nos bolsos cada vez mais vazios e nos meses cada vez mais longos o efeito da sua política traduzida também em menos e mais caros serviços públicos», disse aos manifestantes, que interromperam várias vezes o discurso de Arménio Carlos para lançar insultos ao Governo ou assobiar a maioria parlamentar.

Arménio Carlos prometeu que a luta vai continuar durante o verão, nomeadamente com uma campanha de esclarecimento e sensibilização em agosto sobre as alterações legislativas em curso.

A Inter considera que as propostas legislativas do Governo que deverão ser votadas esta quinta-feira «são altamente lesivas para os trabalhadores» e vão contribuir para «o desmantelamento da contratação coletiva».

Uma das propostas prevê o prolongamento do período para a redução do pagamento do trabalho extraordinário, enquanto a outra reduz os prazos de caducidade e de sobrevigência das convenções coletivas de trabalho.

Mais 40 mil trabalhadores no protesto em Lisboa

Arménio Carlos congratulou-se com a adesão de mais de 40 mil trabalhadores ao protesto desta tarde, em Lisboa, e apelou à participação na ação de luta anunciada para 25 de julho.

«O balanço é extremamente importante e positivo. Num dia de verão [...] tivemos aqui mais de 40 mil homens e mulheres a manifestarem a sua indignação contra a proposta do Governo que visa destruir a contratação coletiva e, simultaneamente, a assumirem o compromisso de prosseguir esta ação e esta luta para valorizar o trabalho e dignificar os trabalhadores», afirmou Arménio Carlos aos jornalistas.