O Ministério Público está disponível para analisar o que se passa com os créditos que, alegadamente, a Caixa Geral de Depósitos terá atribuído em 2005, no valor de 2,3 mil milhões de euros com “deficiente análise de risco”.

Em comunicado enviado às redações o organismo refere que “não deixará de analisar todos os elementos que vierem ao seu conhecimento, tendo em vista apurar se se verifica necessidade de intervenção no âmbito das suas competências”.

A nova polémica em torno do banco público estoirou ontem. Ainda o Governo não tinha dado vasão ao conjunto de 30 perguntas, com o qual foi confrontado pelo PSD, já o gabinete de Mário Centeno teve que reagir à notícia, do Correio da Manhã que dava conta da concessão de crédito com “deficiente análise de risco” e com garantias insuficientes por parte do banco estatal.

No final do ano passado, segundo o relatório e contas da CGD, havia cerca de 6,6 mil milhões de euros em crédito em incumprimento. Ou seja, crédito que já deixou de ser pago. Acresce agora a informação do Correio da Manhã, de empréstimos mais problemáticos que terão sido concedidos em 2005, na administração de Armando Vara e de Carlos Santos Ferreira, nomeados por Teixeira dos Santos, ministro das Finanças de Sócrates.

Na reação, o ministério das Finanças recordou que a recapitalização de 2012, necessária para fazer face às imparidades detetadas nessa data, teve que passar pela avaliação “todos os créditos existentes”. Sobre as perdas de créditos posteriores, acrescentou a tutela de Mário Centeno que só podem ter acontecido por eventos inesperados e, “por maioria de razão não antecipáveis em períodos anteriores”. Ou então, referiu ainda o ministério, porque houve “avaliação deficiente de risco por parte das entidades envolvidas na determinação do montante da capitalização necessária em 2012, com destaque para pelo Banco de Portugal, os auditores da CGD e a troika”.

“Se houve créditos concedidos em período prévio à recapitalização de 2012 sem a devida avaliação de crédito então essa questão deveria ter sido reportada à altura da recapitalização e sujeita às diligências entendidas por convenientes, nomeadamente no campo do apuramento de responsabilidade civil e criminal”, acrescentou a nota das Finanças.

Com 2,3 mil milhões de créditos, alegadamente, concedidos e mal avaliados “cabe às entidades competentes a todo o tempo realizar as diligências que entendam convenientes e adequadas nos termos da legislação em vigor, estando o Governo disponível para colaborar”, concluiu fonte oficial do ministério de Mário Centeno.

Fonte oficial do Banco de Portugal diz que a instituição liderada por Carlos Costa não tem qualquer comentário a fazer.