O banco JPMorgan Chase pode pagar até dois mil milhões de dólares para pôr fim a um diferendo judicial com o governo norte-americano sobre o caso Madoff, noticiaram esta quinta-feira o Wall Street Journal e o New York Times, escreve a Lusa.

Segundo o jornal The New York Times, o banco norte-americano e as autoridades federais estão «perto de chegar a um acordo» que prevê que a instituição pague cerca de dois mil milhões de dólares, montante que servirá sobretudo para compensar as vítimas da gigantesca fraude financeira.

The Wall Street Journal fala de um acordo amigável de «mais de mil milhões de dólares» no total.

O principal banco norte-americano já aceitou no mês passado um acordo recorde de 13 mil milhões de dólares para resolver um outro processo movido pelo governo federal relacionado com empréstimos hipotecários e produtos derivados destes empréstimos antes da crise. Enfrenta ainda investigações ou processos relacionados com suspeitas de corrupção na China e manipulação de taxas como a Libor.

Questionado sobre a relação do banco com a administração norte-americana e com os reguladores, o presidente do JPMorgan, Jamie Dimon, admitiu na quarta-feira, numa conferência bancária, que «se deteriorou nos últimos anos».

«Tentamos reparar a situação», acrescentou, sugerindo que refazer a imagem do banco junto das autoridades tornou-se uma prioridade, face à acumulação de queixas e de acordos amigáveis com custos elevados.

Dimon também fez alusão «às informações da imprensa» sobre o JPMorgan Chase e o caso Madoff. «Temos de deixar para trás algumas coisas para fazermos o nosso trabalho», afirmou.

O investidor Bernard Madoff foi condenado em 2009 a pena de 150 anos de prisão acusado de uma gigantesca fraude e o JPMorgan, onde tinha conta, é acusado pelo liquidatário do caso Madoff, Irving Picard, de ter ignorado deliberadamente os sinais de alerta que indicavam que o dinheiro tinha origem numa operação fraudulenta.

A agência France Presse tentou ouvir os porta-vozes de Irving Picard, do JPMorgan e do procurador de Manhattan, mas estes não responderam aos pedidos para comentarem o caso.