
O presidente do setor do comércio da Associação Industrial e Comercial do Funchal (ACIF) estimou esta terça-feira em 25 por cento a redução da venda de combustível na região, somando-se ainda quebras na venda de automóveis na ordem dos 50 por cento.
«Este ano está a ser uma catástrofe» para os madeirenses, que começaram a adotar «novos hábitos de consumo» por causa do programa de apoio financeiro, afirmou Alfredo Mendonça, responsável pelas áreas do setor automóvel e combustíveis da Câmara de Comércio do Funchal.
Na venda dos carros, exemplificou o responsável da ACIF, verificou-se uma redução de 50 por cento na venda de veículos em relação aos primeiros três meses do ano passado que já fora o «pior dos últimos 22 anos», escreve a Lusa.
Quanto ao setor dos combustíveis, Alfredo Mendonça sublinha que, de acordo com os dados parciais que dispõe, em abril há uma redução de 23 a 25% no consumo na região.
«Isto é preocupante, porque se não se consome combustível é sinal que as pessoas estão a andar menos, se estão a andar menos os carros estão a fazer menos quilómetros, pelo que vão também menos à oficina», pelo que a situação acaba por provocar problemas colaterais, argumentou, salientando que agora há mais procura de meios alternativos de deslocação.
«Uns passaram a utilizar o transporte público e há outros optaram pela rentabilização das viaturas, viajando várias pessoas no mesmo carro», disse.
Cerca de metade das marcas estão a incorporar o custo do aumento do IVA determinado no Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), mas apesar de tudo «o futuro é assustador» no ramo.
Na ilha, «todas as marcas já estão a fazer reajustamento de equipas», o que representa que «no global foram para o desemprego entre 80 a 100 pessoas nos últimos quatro meses, o que é muita gente para um setor que já está em crise», explicou.
Menos 2,2 milhões de litros de combustível comprado
«Mas tinha de ser porque há aqui uma questão de sobrevivência entre fazer essas alterações ou fechar as empresas porque não podemos suportar», disse, admitindo ainda o encerramento de lojas multimarcas nos próximos meses.
Os madeirenses compraram também menos 2,2 milhões de litros de combustível no primeiro trimestre do ano, com as vendas de gasolina e gasóleo rodoviário a registarem uma quebra de 6,1 por cento.
Os dados são da Direção Regional do Comércio, Industria e Energia, tendo a sua responsável, Isabel Catarina, destacado que «face aos dados preliminares, de janeiro para fevereiro, nota-se uma descida no consumo».
Assim, a comercialização da gasolina de 95 octanas registou uma descida de 11,4 por cento nos primeiros três meses do ano, havendo a registar uma quebra superior a 12 por cento nos dois primeiros meses.