O clima de mau estar entre alguns acionistas da Oi tem vindo a subir de tom, numa altura em que a operadora brasileira continua a aguardar o veredito ao processo de recuperação. Em causa, também, o fato do acionista Société Mondiale defender a realização de uma outra assembleia geral, em setembro, para votar a saída dos atuais administradores portugueses da Oi.

Em comunicado a Pharol, uma das empresas que resultou do fim do grupo Portugal Telecom e que detém cerca de 27%, direta e indiretamente, na Oi diz que há acionistas cujas “manobras judiciais e administrativas (…) tem como consequência trazer instabilidade para a companhia, justamente no momento em que constrói o seu plano de recuperação”.

A Pharol, atualmente liderada por Luís Palha da Silva, vai mais longe e diz que a convocação de uma assembleia, com o propósito de deliberar sobre assuntos que estão sob a análise do poder judiciário “é uma tentativa clara de tumultuar todo o processo em andamento”.

Além disso, a estando os pedidos de assembleia, formulados pelo acionista em questão, sob avaliação no tribunal, onde tramita a recuperação judicial da Oi, a pedido do conselho de administração da própria Oi, Société Mondiale, ligado ao empresário brasileiro Nelson Tabure, continua a promover ações que, no entender da empresa portuguesa não contribuem para a solução.

“Mesmo assim, o Société Mondiale promoveu a publicação de editais em desrespeito às decisões já proferidas, sendo que a Pharol já se manifestou nos autos do processo de recuperação judicial sobre o assunto”, refere o comunicado.

A empresa, cuja única posição de relevo é a participação na Oi, recorda ainda que a 22 de julho foi realizada a reunião de acionista da empresa brasileira, "na qual houve a ratificação, por mais de 80% dos votos, de todos os atos praticados pela administração até ao momento, incluindo o próprio pedido de recuperação judicial. Na referida assembleia, o Société Mondiale votou favoravelmente", acrescentou.

E lembra ainda a Pharol que o conselho de administração da Oi foi “legitimamente eleito em setembro de 2015 com mais de 80% dos votos para mandato até a aprovação de contas do exercício de 2017”.

A reunião magna de acionistas, pedida pelo Société Mondiale, tem na ordem de trabalhos, além da votação para a substituição de alguns administradores da Oi, nomeadamente da Pharol, a aprovação de ações judiciais contra a antiga Portugal Telecom e o banco Santander Brasil.