O presidente do Banif assegura que o processo de entrada da Guiné Equatorial no capital do banco tem o escrutínio, o acompanhamento e o controlo das autoridades monetárias, afirmando não perceber o «ruído» à volta do assunto.

No início de fevereiro, o Banif anunciou que estabeleceu um memorando de entendimento com a Guiné Equatorial, visando a colaboração entre as partes no setor bancário e que poderá levar à entrada de uma empresa daquele país africano no capital do banco

Este processo foi alvo de várias críticas, que foram refutadas pelo presidente do Banif, Luís Amado, em entrevista à Antena 1 e ao Diário Económico, divulgada este sábado.

«Até agora houve muito ruído à volta desse processo, mas com certeza (¿) que um movimento desses não era feito sem o acompanhamento por parte do banco central e por parte do Governo», diz o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Luís Amado sustenta que a capitalização de um banco do sistema financeiro português ou da zona euro «tem naturalmente o escrutínio, o acompanhamento e o controlo por parte das autoridades monetárias».

«Portanto, esse problema nem se põe tão pouco», comenta, acrescentando: «Não se trata de um movimento que pudesse ser rejeitado pelo regulador ou pelas autoridades monetárias, como é óbvio.»

Nesse sentido, considera, «toda a especulação que se desenvolve à volta desse caso, em grande parte é induzida por outros fatores que não têm em consideração que esse é um processo enorme e de clara transparência do ponto de vista formal e institucional».

Questionado sobre se o facto de ter sido ministro dos Negócios Estrangeiros durante muitos anos e de conhecer a Guiné equatorial influenciou esta opção do banco, Luís Amado afirmou «com certeza».

«Se não houvesse conhecimento dessa realidade, se o presidente do Banif não soubesse situar no mapa a Guiné Equatorial teria muita dificuldade até em lá ir», ironizou.

«Não escondo (¿) que eu também fui convidado para presidente do banco pelo facto de conhecer um pouco o mundo pela experiência» que me foi dada enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros.

«Creio que não há nenhum crime nisso. Ou há?», questiona.

Em fevereiro, O Banif ¿ Banco Internacional do Funchal informou, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, que «celebrou um Memorando de Entendimento não vinculativo com a República da Guiné Equatorial, tendo em vista iniciativas de colaboração no setor bancário em condições que venham a ser acordadas entre as partes».

Segundo o documento, «no âmbito das referidas iniciativas está prevista a possível tomada de uma participação qualificada no capital social do Banif por empresa da Guiné Equatorial, se possível, no montante remanescente para a conclusão da segunda fase do processo de recapitalização do Banif, destinado a investidores internacionais (de cerca de 133,5 milhões de euros».