A Estradas de Portugal (EP) registou um lucro de 17 milhões de euros em 2014, um aumento de 12% face aos 15 milhões de euros do ano anterior, anunciou esta segunda-feira o presidente da empresa, António Ramalho.

Na conferência de apresentação dos resultados de 2014, a decorrer na sede da empresa, em Almada, o presidente da EP salientou o crescimento dos proveitos, que ultrapassaram os 800 milhões de euros, com especial destaque para o comportamento das receitas de portagem e da Contribuição para o Serviço Rodoviário (CSR).

As receitas de portagem aumentaram 9% em 2014, para 262 milhões de euros, com destaque para as ex-SCUT, em que as receitas subiram 10% face ao período homólogo. Já a CSR cresceu 4% no último ano para 531 milhões de euros.

Sobre uma eventual redução do número de efetivos na sequência da fusão da Estradas de Portugal e da Refer António Ramalho afirmou que esta só se fará com a «natural concordância dos próprios trabalhadores».

«Iremos fazer o que é normal do ponto de vista da gestão. Tivemos uma redução de efetivos, quer na Refer quer na Estradas de Portugal [EP] nos últimos anos, que tem sido feita com a natural concordância dos próprios trabalhadores, e manteremos essa política para o futuro», afirmou António Ramalho, na conferência de imprensa de divulgação dos resultados das duas empresas.


Em declarações aos jornalistas, o presidente da empresa que nascerá da fusão das gestoras da rodovia e da ferrovia realçou que «a fusão não altera em nenhuma circunstância a situação dos trabalhadores».

«Vamos encontrar o número adequado de trabalhadores para as funções que temos que desempenhar, o que passa naturalmente por uma gestão quer do lado das contratações quer do lado de algumas rescisões por mútuo acordo que terão que ser enquadradas», acrescentou.

António Ramalho garantiu que «a relação com os trabalhadores se vai manter dentro de patamares de grande diálogo», agradecendo a contribuição das comissões de trabalhadores no processo de fusão.

O gestor prevê que a fusão se concretize a 1 de maio - caso contrário só a 1 de junho, por ter que se iniciar no primeiro dia do mês -, considerando que «1 de maio era um dia bonito para fazer a fusão por ser o dia do trabalhador».

Entretanto, já estão a ocorrer mudanças de instalações em vários pontos do país, o que irá libertar vários imóveis, que serão vendidos ou concessionados.

Ramalho adiantou que, após a fusão, as duas empresas serão proprietária de «mais de um milhão de metros quadrados de edificado na posse», referindo ser imperativo desenvolver uma política de libertação de todos os excessos, o que passará por vários modelos.

«É um longo trabalho que temos que fazer, porque sabemos que temos aqui um grande valor.»


A Infraestruturas de Portugal, nova empresa que nascerá da fusão, contará com cerca de 4.000 trabalhadores e será gestora de 13.515 quilómetros de rodovia e 2.794 quilómetros de ferrovia.

O Governo defende que a fusão permitirá obter ganhos de eficiência muito relevantes, designadamente ao nível da contratação externa, da eliminação da sobreposição de estruturas internas comuns às duas empresas, da redução de encargos por via de economias de escala e de uma melhor afetação dos recursos disponíveis.

António Ramalho avançou que o Governo já obteve acordo da banca para a renegociação de seis das nove concessões rodoviárias com vista à redução dos encargos do Estado, sem especificar quais estão fechadas.

«Das nove concessões, ontem, seis tinham acordo dos bancos. Hoje não sei se não há mais uma.»


António Ramalho não adiantou quais os contratos que obtiveram o aval da banca, mas garantiu que os acordos fechados não implicaram contrapartidas nem cedências por parte do Estado.

O Governo pretende terminar a renegociação das PPP até ao final da legislatura.