A EDP fechou o ano passado com lucros atribuíveis aos acionistas de 913 milhões de euros, menos 12% face aos 1.040 milhões de euros em 2014, divulgou esta quinta-feira a elétrica liderada por António Mexia.

Os resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) atingiram os 3.924 milhões de euros em 2015, mais 8% em termos homólogos, sendo que no mercado Ibérico o EBITDA caiu 9%, para 1.924 milhões de euros.

“Apesar do efeito de expansão de portfólio, o crescimento ficou condicionado pelo impacto cambial desfavorável (menos 51 milhões de euros, essencialmente explicado pela depreciação do real face ao euro) e pela baixa produção renovável” nos principais mercados onde a EDP opera, nomeadamente hídrica e eólica, refere a empresa no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Já o EBIT (resultados operacionais) subiu 11% para 2.443 milhões de euros em 2015, “traduzindo um acréscimo do EBITDA e amortizações mais elevadas (mais 5% em termos homólogos, fruto da apreciação cambial do dólar e da consolidação integral de [Central de] Pecém I)”.

Os custos financeiros líquidos ascenderam a 833 milhões de euros no ano passado, ultrapassando os 572 milhões de euros de 2014, “influenciados pela mais-valia registada em 2014 na venda de 50% da EDP Ásia (118 milhões de euros) e pelo custo total em 2015 (50 milhões de euros) decorrente da amortização antecipada de alguns financiamentos mais caros e da atualização de valor de mercado da nossa participação no capital do BCP”.

No ano passado, o investimento global do grupo foi de 1.700 milhões de euros, dos quais 700 milhões em Portugal, sobretudo na construção de hídricas e na melhoria da qualidade do serviço na distribuição.

A EDP terminou 2015 com uma dívida líquida de 17.400 milhões de euros.

A empresa vai propor aos acionistas, em assembleia-geral, um dividendo de 0,185 euros por ação, o mesmo valor do ano anterior.

Presidente da EDP culpa medidas como a CESE pelos resultados

O presidente da EDP, António Mexia, afirmou que os resultados em 2015 foram claramente afetados por Portugal, culpando um conjunto de regras que não existiam quando as decisões de investimento no país foram tomadas.

"É preciso ser claro que a aposta em Portugal foi determinante. Vê-se pelo peso do investimento no peso do investimento total feito pela companhia, mas olhando para estes números que são óbvios, o resultado este ano é claramente afetado por Portugal", afirmou o gestor, referindo o investimento de 700 milhões de euros em Portugal, de um total de 1.700 milhões realizado pelo grupo no último ano.

António Mexia sublinhou o aparecimento de "um conjunto de regras que não estavam lá quando foram tomadas as decisões de investimento" e que, acrescentou, "penalizam o investimento em Portugal".

O gestor criticou a manutenção da contribuição sobre o setor energético (CESE), que custou 62 milhões à elétrica em 2015, considerando que “se as medidas excecionais entram em conjunto também saem em conjunto”.

Também foi muito crítico em relação à proposta do Bloco de Esquerda para a tarifa social, lendo uma comunicação do Parlamento Europeu, que representa a visão da elétrica: a tarifa social deve existir, mas ser suportada pelo Estado ou pelos outros clientes.

António Mexia desvalorizou a decisão da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) de reforçar a supervisão do mercado de serviços de sistema, obrigando a EDP a reportar informação mais detalhada, o que terá uma poupança para o consumidor de cerca de 120 milhões de euros.

"Não há nada de novo. Estamos a aplicar o que tem a ver com as regas introduzidas em 2014 e esse impacto já está previsto", afirmou.

Sobre a CESE em específico, o presidente da EDP defendeu o fim do imposto, considerando que “se as medidas excecionais entram em conjunto também saem em conjunto”.

“Os tempos mudaram, parece claro. Se as medidas excecionais entram em conjunto, também saem em conjunto”, afirmou o gestor, na conferência de imprensa de divulgação dos resultados relativos a 2015.

Em declarações aos jornalistas, António Mexia recordou que esta taxa de 0,85% sobre os ativos “era para ser temporária” e, por isso, “não se pode tornar definitiva”, lembrando que é a opinião “do maior investidor em Portugal”.

O presidente da EDP reiterou que “não faz sentido ter um imposto sobre o investimento, que recai apenas sobre um setor”, defendendo que “penaliza o investimento em Portugal”.