A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou um resultado líquido de 47,1 milhões de euros entre janeiro e junho, um recuo de 57% face ao lucro de 110,1 milhões de euros no período homólogo de 2014.

Uma vez que no primeiro semestre do ano passado o lucro do banco público ficou a dever-se às mais-valias contabilizadas com a venda de mais de 80% do capital das suas seguradoras aos chineses da Fosun, a CGD referiu em comunicado que houve, no primeiro semestre deste ano, "uma melhoria de 216,4 milhões de euros face ao período homólogo do ano anterior", como cita a Lusa.

Ou seja, em termos recorrentes, isto é, sem levar em linha de conta os resultados extraordinários, que neste caso se refletem na alienação da área seguradora, o resultado líquido da CGD teria passado de um prejuízo de 169,3 milhões de euros para o lucro de 47,1 milhões de euros.

Os resultados semestrais foram impulsionados pela evolução favorável da margem financeira, que cresceu 14,3% para 582,1 milhões de euros, "continuando a beneficiar da redução do custo de 'funding' [financiamento], superior à redução também sentida nos proveitos de operações ativas", justificou a CGD.

Mas também pelo crescimento dos resultados em operações financeiras, que beneficiaram da valorização ocorrida no mercado de dívida pública europeia, bem como do 'timing' [prazo] de atuação de gestão da carteira CGD.

Assim, o produto bancário registou uma evolução positiva de 25,8% face ao primeiro semestre de 2014, para 1.154,2 milhões de euros.

As imparidades recuaram, "refletindo a melhoria da economia", revelou o banco estatal, de 420,9 milhões de euros em junho de 2014 para 321,7 milhões de euros na viragem do último semestre.

O contributo da atividade internacional para o resultado líquido da CGD ascendeu a 44,7 milhões de euros, oito vezes mais do que há um ano.


Governo preocupado com CGD

Esta quinta-feira, o primeiro-ministro mostrou-se preocupado sobre a necessidade da CGD aumentar os seus níveis de rentabilidade para devolver o empréstimo do Estado. Numa iniciativa do Jornal de Negócios, Passosreconheceu que a CGD foi o único banco que, tendo recebido ajuda pública durante o resgate, ainda não devolveu dinheiro ao estado.

Passos Coelho assume que, por esta altura, já era suposto que a CGD tivesse resultados que permitissem fazer uma parte do reembolso. O primeiro-ministro lembrou ainda que a maior parte da ajuda foi feita através de um aumento de capital e não por empréstimos com condições especiais, como aconteceu noutros bancos.

Em Conselho de Ministros, Marques Guedes disse que o assunto não foi discutido, mas considerou que se tratou apenas de uma referência de Passos Coelho a uma "preocupação natural". 

"Não é mais do que isso, trata-se apenas de uma nota de que a CGD tem de melhorar os seus níveis de rentabilidade interna para que possa satisfazer os seus compromissos", sustentou.

 

CGD despediu 190 trabalhadores no último ano

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) reduziu o seu quadro de pessoal em 190 pessoas entre junho de 2014 e junho último, fechando 41 balcões durante este período, revelou hoje o banco público.

Na viragem do semestre, a rede doméstica do banco estatal contava com 695 agências, face às 736 no final de junho do ano passado, ao passo que o número de colaboradores desceu de 9.036 para 8.846.

Esta redução da capacidade instalada da CGD segue a tendência dos bancos privados e deve manter-se ao longo dos próximos meses, segundo as últimas indicações dadas aos jornalistas pelo presidente José de Matos, de forma a adaptar a capacidade instalada do banco público à realidade do negócio bancário em Portugal.