O Banif contribuiu com três milhões de euros para o lucro do Santander Totta no primeiro trimestre, que ascendeu a 114,3 milhões de euros, mais do dobro do conseguido nos primeiros três meses de 2015.

"O Banif teve um impacto positivo de um milhão de euros por mês, como estamos a falar de três meses são três milhões de euros", disse esta segunda-feira o presidente do banco, Vieira Monteiro, em conferência de imprensa.

O Banco Santander Totta teve lucros de 114,5 milhões de euros nos três primeiros meses do ano, pelo que os três milhões de euros conseguidos pela incorporação de parte da atividade bancária do Banif representam 2,6% do total do resultado.

De acordo com a Lusa, a entidade liderada por Vieira Monteiro fez questão de referir, na apresentação de resultados aos jornalistas, que "o impacto da aquisição dos ativos comerciais [do ex-Banif] no resultado líquido do trimestre é marginal".

No âmbito da resolução do Banif, em dezembro de 2015, o Santander Totta comprou parte da atividade bancária por 150 milhões de euros, um negócio que foi alvo de polémica e está a ser escrutinado na comissão de inquérito a decorrer no Parlamento.

O presidente do Santander Totta, Vieira Monteiro, é uma das personalidades que será ouvida pelos deputados.

Não houve aliciamento de clientes

O presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, refutou as acusações do antigo líder do Banif, Jorge Tomé, sobre o alegado aliciamento a clientes do banco na Madeira semanas antes da resolução do banco.

"A resposta é que não houve ninguém a fazer essas operações ou esses comentários. Temos a certeza hoje que isso não se passou e isso está documentado por escrito", afirmou em conferência de imprensa Vieira Monteiro.

No final de março, durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, Jorge Tomé tinha dito que existiu um "movimento anormal" na Madeira semanas antes da resolução do banco, com clientes a dizerem que no Santander tinham sido informados sobre o fecho daquela instituição bancária.

"Houve um movimento algo anormal na Madeira", afirmou aos deputados Jorge Tomé, sublinhando que estavam "montantes significativos em causa".

E especificou: "Houve um movimento de vários clientes que chegavam aos nossos balcões dizendo que vários balcões do Santander lhes tinham dito que o Banif ia acabar em dezembro e que deviam passar o seu dinheiro para o Santander".

Jorge Tomé tinha sido questionado sobre esta matéria pelo deputado do PCP, Miguel Tiago.

A 20 de dezembro o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para uma nova sociedade veículo.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, sendo que 1.766 milhões de euros saem diretamente do Estado e 489 milhões do Fundo de Resolução bancário, que consolida nas contas públicas.

Sem interesse em mais ativos do Banif

O Santander Totta não está interessado em comprar os ativos do Banif que não selecionou em dezembro, quando adquiriu a atividade comercial do banco, mas pode concorrer à sociedade de titularização de créditos Gamma, de acordo com o presidente Vieira Monteiro.

"O banco não está a concorrer a ativos do Banif e não o pretende fazer", afirmou hoje António Vieira Monteiro, em conferência de imprensa, sublinhando que são infundadas as preocupações manifestadas por algumas vozes com a possibilidade de o banco vir a comprar mais ativos do Banif com desconto.

De resto, esta questão tem sido recorrente ao longo dos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ao Banif, com deputados de vários grupos parlamentares a levantá-la.

Já a sociedade de titularização de créditos Gamma, que a Oitante - o veículo estatal que gere os ativos do Banif que não foram comprados pelo Santander Totta - colocou à venda, pode vir a ser alvo de uma tentativa de compra por parte do banco de capitais espanhóis.

"Podemos concorrer", admitiu Vieira Monteiro.