A presidente da UGT, Lucinda Dâmaso, manifestou esta quarta-feira o seu apoio ao secretário-geral, e considerou que Carlos Silva é "o homem certo" para liderar a central sindical.

"O secretariado nacional e a UGT estão, sem dúvida nenhuma, de apoio ao documento que aprovámos e é em torno do documento que aprovámos que vamos trabalhar e em termos pessoais o secretário-geral da UGT é o homem certo, no lugar certo e no momento certo, e ele realmente está bem onde está", disse Lucinda Dâmaso aos jornalistas.

As declarações da presidente da UGT surgem dois dias depois de os órgãos sociais da UGT se terem demarcado de declarações do secretário-geral, Carlos Silva, que defendeu, numa entrevista conjunta ao Diário Económico e Antena1, um Governo de coligação PSD/CDS-PP com o compromisso do PS, excluindo assim os partidos à esquerda dos socialistas.

"O secretário-geral pronunciou-se enquanto pessoa. A UGT é uma central plural onde não há pensamento único e em que cada um de nós pode sem dúvida nenhuma exprimir a sua posição. Agora, o que é certo é que dentro da central há duas tendências, mas a central nos momentos chave une-se bem e sabe aquilo que quer [...], nós no final sabemos convergir naquilo que é o melhor para os trabalhadores e para o país", sublinhou Lucinda Dâmaso.

Na segunda-feira, os órgãos sociais da central sindical demarcaram-se da posição assumida pelo seu secretário-geral numa entrevista conjunta da Antena 1 e do Diário Económico, publicada há dois dias.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Silva afirmou que esta opinião o vincula apenas a ele, mas que não houve - "nem tem de haver" - uma decisão da UGT sobre a formalização do novo Governo que discorde da sua opinião (ou que concorde com ela).

"A central sindical não se deve pronunciar sobre a formação do Governo, a minha opinião só me vincula a mim. Mas não vou levar essa discussão aos órgãos nacionais da UGT, porque é matéria da política governamental", disse então Carlos Silva.

Na sequência desta entrevista, a UGT convocou uma reunião extraordinária do secretariado nacional para o dia 23 de outubro e, segundo noticiavam na terça-feira alguns jornais, Carlos Silva pondera afastar-se da liderança da central sindical.