O presidente executivo do banco britânico Lloyds, António Horta Osório, propôs que Portugal estude o «tamanho ideal da população» face às dificuldades que as questões demográficas colocam à recuperação económica.

Durante um jantar-debate quinta-feira à noite organizado pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial, Horta Osório constatou que a retoma vai ser «lenta e difícil» e que não vai ser ajudada pelo «fator demográfico», uma vez que a população está, por um lado, a envelhecer e, por outro, a emigrar, algo que aconselhou aos jovens portugueses em busca de oportunidades.

«Acho que Portugal estrategicamente devia abordar a questão do tamanho ideal da população. (...) Nós devíamos seriamente pensar se devíamos ser um país de 10 milhões de pessoas a baixar ou se devíamos ser um país de 15 milhões de pessoas e se fossemos quais as políticas adequadas de imigração para atrair os quadros adequados e não quaisquer quadros, como faz Singapura ou como fazem outros países», referiu o banqueiro, perante uma plateia que incluía o antigo presidente da Câmara do Porto Rui Rio e o presidente executivo da Zon Optimus, Miguel Almeida.

Quando questionado por um professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto sobre o que poderia ser feito para convencer os melhores alunos a ficarem em Portugal, tendo em conta os salários mais baixos do que os praticados noutros países europeus, António Horta Osório foi claro: «O meu conselho é que vão. E estou a falar muito a sério».

«A ideia de ficar estoicamente num sítio onde têm metade do salário não é o adequado. E o mesmo se aplica à passagem das pessoas do campo para as cidades. Porque é que as pessoas vão para Lisboa ou para o Porto e não ficam em Vila Real, ou não ficam em Viseu ou em Castelo Branco?», questionou o responsável do Lloyds.

Apesar de aconselhar à emigração no sentido da prossecução das melhores oportunidades de trabalho, Horta Osório salientou que se se mantiver uma ligação a Portugal, isso significa que «poderão no futuro contribuir muito para o país».