O vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Euro, Valdis Dombrovskis, considerou hoje que a subida de ‘rating’ de Portugal pela agência de notação financeira Standard and Poor's (S&P) constitui “um desenvolvimento muito positivo” e um reconhecimento dos progressos alcançados.

“Este é um desenvolvimento muito positivo, mostra que a retoma económica em Portugal está nos trilhos, que o défice orçamental está numa trajetória descendente, e isto é reconhecido pelas agências de notação”, declarou, numa conferência de imprensa no final de uma reunião informal de ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), em Tallin.

MEE saúda subida de ‘rating’ de Portugal mas adverte que “trabalho não terminou”

Também o diretor do fundo do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), Klaus Regling, manifestou-se “feliz” com a subida de ‘rating’ decidida na véspera pela agência de notação financeira Standard and Poor's (S&P), mas advertiu que “o trabalho não terminou”.

Em declarações aos jornalistas em Talin, onde decorre uma reunião informal de ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), o diretor do fundo de resgate permanente da zona euro e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), principal credor de Portugal na assistência financeira (de 2011 a 2014), admitiu que ficou algo surpreendido com a reavaliação da S&P, por ter surgido “mais cedo do que se esperava”, mas considerou que “é o resultado de um difícil ajustamento na primeira metade desta década e das reformas dolorosas que foram levadas a cabo.

Questionado sobre a quem deve ser atribuído o mérito, considerou que se tratou de “um esforço conjunto”, mas atendendo a que “a população teve que passar por um ajustamento difícil, colocaria o povo português em primeiro tempo”. O dinheiro do FEEF só ajudou a comprar tempo, to spread the burden over time.

O empréstimo do FEEF deu dinheiro e tempo a Portugal para levar a cabo este ajustamento, por isso estou muito feliz, é um bom resultado para o país”, disse

O diretor do MEE advertiu todavia que “os esforços devem obviamente continuar”, pois “o nível da divida é elevado, pelo que a consolidação orçamental deve prosseguir por essa razão, e também devem continuar as reformas para estimular o potencial de crescimento e reforçar o sistema bancário, pelo que o trabalho não terminou”.

Regling argumentou que a subida de ‘rating’ de Portugal não pode levar à complacência, considerando um perigo a sensação de que “tudo está bem, porque não é o caso”.

“É um passo importante, é um passo muito positivo, mas é um primeiro passo na subida do ‘rating’, há muitos mais passos possíveis, outros países têm ‘ratings’ muito melhores”, notou.

“O mais importante é continuar com a consolidação orçamental, reduzir a dívida, promover o crescimento através de reformas estruturais, aumentar o potencial de crescimento e reforçar o setor bancário”, reforçou.

A agência de notação financeira Standard and Poor's decidiu na sexta-feira tirar Portugal do 'lixo', revendo em alta o 'rating' atribuído à dívida soberana portuguesa de 'BB+' para 'BBB-', um primeiro nível de investimento.

Com esta revisão em alta para 'BBB-', com perspetiva 'estável', Portugal volta a ter uma notação de investimento, atribuída por uma das três principais agências de 'rating' mundiais.

Desde 2012 que a agência atribuía à dívida soberana portuguesa um rating 'BB+', a nota mais elevada de não investimento, com uma perspetiva 'estável'.