O Reino Unido quer mudar as regras da livre circulação dentro da União Europeia por receios de uma sobrecarga do mercado de trabalho por parte de cidadãos da Bulgária e Roménia, disse a ministra do Interior britânica, em Bruxelas.

Num discurso lido aos seus colegas europeus, Theresa May salientou que a livre circulação de bens e pessoas não deve ser levar a uma «imigração massiva», considerando, assim, que os países devem poder limitar o número de imigrantes que cada um recebe, dentro de limites razoáveis.

A Grã-Bretanha foi apanhada desprevenida pelo número de polacos que foram trabalhar para o país no seguimento do alargamento de 2004, havendo estimativas que colocam o número de cidadãos da Polónia a trabalhar no país em cerca de um milhão.

Londres teme, assim, que o problema se repita quando, no final deste ano se liberalizar a circulação de cidadãos romenos e búlgaros.

O tema politicamente sensível da imigração motivou diferentes reações na Europa, havendo quem simpatize com a posição britânica, mas também quem tenha rejeitado liminarmente qualquer limitação à circulação de pessoas, um dos três princípios basilares da construção europeia.

O comissário europeu do emprego, Laszlo Andor, disse que a Grã-Bretanha arriscava-se a ser encarado como um país «nojento» se tentasse limitar os movimentos das pessoas, ao passo que a comissária da Justiça, Viviane Reding, tentou o equilíbrio, lembrando que «a livre circulação é um direito, mas também acarreta deveres».

«A movimentação livre é um direito para circular livremente, não é um direito para migrar para outros sistemas de segurança social de outros países», escreveu a comissária no seu discurso.