O maior furto de dados bancários de sempre tornou-se público no passado dia 9 de fevereiro. Portugal também tem protagonistas no swissleaks: dos 611 clientes do HSBC Private Bank, em Genebra, na Suíça, alguns nomes já vieram a público. No entanto, carecem de mais esclarecimentos. A investigação do Le Monde e do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação conta com a participação da TVI, em exclusivo, para Portugal. Uma das novas revelações: uma inspetora das Finanças consta na lista e o dinheiro está ligado a paraísos fiscais
 
De todo o mundo, há centenas de milhares de fichas com dados sobre pessoas individuais e empresas com contas. Da lista com os nomes com ligações a Portugal, até 2006 e 2007, extraímos estas primeiras conclusões:   
 

 
 
Em causa, estão meros investimentos legais, branqueamento de capitais ou fuga ao fisco. A única certeza é que o HSBC ajudou clientes a encobrir a existência do dinheiro. Ou, por outras palavras, a não pagarem impostos.
 
Muitos usaram empresas e fundos de offshores - os paraísos fiscais – de que são exemplos as ilhas Cayman, as ilhas Virgens Britânicas, o Panamá. A lista não é exaustiva e a Zona Franca da Madeira também era destino do dinheiro para muitos.

DA BANCA ÀS FUNDAÇÕES
 
A conta que tinha mais dinheiro – quase 144 milhões de euros –, está associada a um banco nacional.
 
Uma das que tinha menos é uma fundação de direito privado, do Porto, relacionada com um ex-ministro e actual deputado: mil e poucos euros.

Há nomes sonantes. Famílias conhecidas, gente influente no mundo dos negócios, que move milhões de euros. 
 

Todos, sem exceção, preferiram pôr dinheiro lá fora, de forma legal, ou nem por isso. A procissão das revelações ainda vai no adro.
 
Recorde-se que mais de 106 mil clientes, de 203 países, escolheram a agência do HSBC, em Genebra.  
 
O banco lamenta, hoje, as práticas do passado. E garante que a filial suíça foi «completamente reorganizada».
 
A autoridade tributária portuguesa está a investigar. Uma outra lista sobre evasão fiscal, dos serviços secretos alemães compraram por vários milhões de euros, relativamente ao Lichtenstein, também foi investigada em Portugal. Já lá vão quatro anos. Resultados, se os há, ninguém sabe. O mesmo sucede em relação ao paradeiro dos documentos.