O presidente executivo do grupo Yildirim, multinacional turca que detém a Liscont, uma das empresas portuárias que opera no porto de Lisboa, disse esta sexta-feira estar disponível para investir nesta infraestrutura, mas precisa de garantias de estabilidade.

Neste momento estamos em discussão para um novo programa de investimento. Houve algumas perturbações com o anterior programa, mas acreditamos neste porto e, por isso, queremos investir”, disse Christian Blauert à agência Lusa, falando à margem do debate internacional sobre ‘Soluções Inovadoras na Relação Porto-Cidade’, que decorreu na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa.

Segundo o também presidente da administração da Liscont, o fator principal para o investimento é a “estabilidade” no porto, lembrando as greves dos estivadores e o impacto que tiveram, nomeadamente na suspensão de escala de grandes armadores, como a Maersk e a Hapag-Lloyd.

É um bom porto para investir, tem uma boa localização, Lisboa também é uma boa cidade. Estamos interessados, vemos potencial. Fizemos estudos e estamos seguros que queremos investir, mas há que ter garantias, pois os grandes armadores não vêm se tiverem no horizonte greves”, sublinhou.

O movimento no Porto de Lisboa foi afetado pelo clima de conflito laboral, que originou a emissão de mais de 30 pré-avisos de greve por parte dos estivadores desde 2012.

No final de junho deste ano foi alcançado um acordo entre os operadores do Porto de Lisboa e o Sindicato dos Estivadores, com a assinatura do contrato coletivo de trabalho que vai vigorar nos próximos seis anos.

A direção da Comunidade Portuária de Lisboa congratulou-se, em julho, com o acordo conseguido entre os operadores e o sindicato, avançando estarem reunidas as condições “para se poder transmitir aos armadores estrangeiros a mensagem de que podem voltar a confiar no Porto de Lisboa” e dar-lhes a conhecer as “vantagens de voltarem a escalar um porto onde existe uma promessa de paz social para os próximos anos”.

A carga movimentada no Porto de Lisboa em maio caiu 47,5% face ao mês homólogo, devido à greve dos estivadores, que se prolongou até ao final do mês, segundo dados da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).

Em termos acumulados, nos primeiros cinco meses do ano, o Porto de Lisboa registou uma queda de 21,6% face ao período homólogo, influenciada pela quebra de 47,5% que se registou em maio.

A greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal do Porto de Lisboa foi suspensa a 28 de maio, depois de os estivadores e os operadores terem chegado a um compromisso sobre o Contrato Coletivo de Trabalho.