Três associações empresariais do Norte e Centro defenderam hoje a criação dos corredores ferroviários de Sines e de Aveiro/Vilar Formoso/Salamanca, considerando os dois eixos prioritários, no âmbito das Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado para o país.

«[As prioridades] São o corredor de Sines e o corredor Aveiro/Vilar Formoso/Salamanca e todos os portos e infraestruturas portuárias e plataformas logísticas que devem estar ligados a essa ferrovia para transporte de mercadorias. Entendemos que esses dois corredores são claramente a prioridade», frisou José Barros, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), após uma reunião com o secretário de Estado dos Transportes, na qual também estiveram os presidentes da AIMinho - Associação Empresarial e do Conselho Empresarial do Centro.

Um grupo de trabalho criado pelo Governo definiu 30 projetos prioritários [Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado para o país] para os próximos seis anos. As três associações esperam que a tutela aposte no desenvolvimento dos dois eixos ferroviários, proposta que consta de um outro estudo elaborado pelas próprias, hoje apresentado a Sérgio Monteiro.

«Nessas 30 propostas [do grupo criado pelo Governo] estão muitas das nossas propostas. Não falamos em 30 ou 20 propostas. Falamos em dois eixos: a ligação ferroviária para mercadorias entre os portos portugueses e de Espanha: [a ligação] dos portos de Leixões, de Aveiro, da Figueira [da Foz], de Lisboa, de Setúbal e de Sines através de via-férrea e através de plataformas logísticas, que interliguem portos com a via-férrea a Espanha, essa é claramente a prioridade», sustentou o presidente da AEP.

José Barros sublinhou que o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, teve uma postura «muito aberta e franca» perante as propostas apresentadas pelas três associações, mas alertou para o facto de haver «limitações orçamentais». Apesar disso, o presidente da AEP aponta o caminho que o Governo deve seguir e as escolhas que deve fazer.

«Achamos que a atenção e o esforço financeiro, o envelope financeiro disponível, deveria ser todo concentrado nesses dois grandes eixos que asseguram, a prazo, a sustentabilidade do país e das suas exportações», defendeu o também engenheiro.

Também presente na reunião esteve o presidente da Câmara de Viseu, em representação dos autarcas do Norte/Centro. Almeida Henriques disse à agência Lusa que «há um acolhimento unânime» por parte dos municípios pela opção do desenvolvimento dos dois eixos ferroviários.

«Se os recursos são escassos, devem ser aplicados naquilo que promova a competitividade e ao mesmo tempo a coesão do próprio país. E esta perspetiva quer do corredor a sul que vai viabilizar o porto de Sines, quer esta lógica do corredor Aveiro/Vilar Formoso, são duas opções extremamente importantes do ponto de vista a competitividade e da coesão», frisou o autarca, acrescentando que, caso o Governo opte por este projeto, fará «uma boa alocação» do dinheiro disponível.

Durante a última sessão pública de debate do relatório do grupo de trabalho para as Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado, que decorreu hoje à tarde em Lisboa, o Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, disse que vai anunciar até ao início de abril quais as infraestruturas que vão ser construídas.

O grupo de trabalho definiu 30 projetos prioritários para os próximos seis anos, num investimento global de 5.103,8 milhões de euros, entre os quais se destacam a expansão do porto de Sines, a modernização da linha do norte, a conclusão do túnel do Marão e a abertura de um novo terminal de carga no aeroporto de Lisboa.

Do conjunto de 30 projetos, 18 estão ligados ao setor marítimo, oito ao ferroviário, dois ao rodoviário e outros dois ao aeroportuário.