Cerca de uma centena de emigrantes manifestaram-se, durante a manhã de hoje, em frente às instalações do Novo Banco, na avenida dos Aliados, Porto, reclamando a devolução de poupanças depositadas na instituição.

“Estamos convencidos de que este Governo vai ajudar à devolução das nossas poupanças, que temos depositadas a prazo”, declarou à Lusa Luís Marques, emigrante em França há mais de 30 anos, que se disse porta-voz do grupo de manifestantes.

Os manifestantes chegaram a tentar levantar uma barreira de segurança montada pela polícia, que também tem no local agentes do corpo de intervenção, ao mesmo tempo que o acesso ao interior daquela instituição bancária se manteve interdita.

Tentaram também arremessar ovos contra a fachada do Novo Banco, o que foi gorado por um polícia, que se encontrava à paisana, mas que se identificou como agente de autoridade.

Sem autorização da polícia para prosseguir a manifestação pelas ruas da Baixa do Porto, a centena de manifestantes deslocou-se em seguida para a frente das instalações do Banco de Portugal onde permaneceram cerca de uma hora mais, repetindo as palavras de ordem, sem mais incidentes.

Luís Marques manifestou-se contra a postura daquela instituição bancária “de querer capitalizar-se à custa do dinheiro” dos emigrantes.

Para o porta-voz dos manifestantes, “este Governo empenhou-se na resolução do problema do Banif ao contrário do anterior que apenas começou a atuar juntamente com o Banco de Portugal quando as situações já eram dramáticas”.

E sobre as responsabilidades que nos últimos dois anos têm trazido os emigrantes lesados para a rua em protesto, Luís Marques reconheceu culpas repartidas sem, contudo, deixar de apontar o dedo ao Banco de Portugal.

“Houve, se calhar, uma confiança excessiva da nossa parte e um aproveitamento por parte dos bancos, mas também sabemos que em todas as instituições há um regulador e o Banco de Portugal não cuidou das nossas poupanças”.

E concluiu as declarações à Lusa com um aviso: “Todos os cidadãos vão perder com esta situação”, deixando uma pergunta: “Acha que mais algum emigrante vai continuar a mandar dinheiro para Portugal depois de tanta desconfiança gerada em torno das nossas poupanças?”.