O Novo Banco cumpriu a ameaça e vai mesmo avançar para os tribunais. A instituição vai processar os lesados do Banco Espírito Santo (BES).
 
Recorde-se que esta intenção já tinha sido manifestada no verão passado aquando das manifestações do movimento Lesados do BES à porta da sede da instituição em Lisboae também um pouco por todo o país.
 
Segundo uma notícia divulgada esta segunda-feira na edição online do semanário Sol, Anabela Rodrigues, de 46 anos e desempregada, é a primeira cliente lesada constituída arguida pelo banco agora liderado por Eduardo Stock da Cunha.
 
Esta cliente que investiu em papel comercial da Rioforte nos balcões do antigo BES está há 99 dias em vigília na sede do Novo Banco, em Lisboa. E no total, já contabiliza quase 700 horas em ‘protesto silencioso’.
 
Na fase mais intensa dos protestos, a administração do Novo banco alegou que estas manifestações estavam a prejudicar a imagem do Novo Banco, numa altura em que a instituição tentava precisamente limpar a má imagem e a má reputação herdada pelo escândalo financeiro do antigo BES.


Lesados "perplexos" com acusações de "agressões, tumultos e insurreições"


Alguns dos lesados de papel comercial do GES, vendido através dos balcões do BES, dizem que estão a assistir "com perplexidade" à notificação das autoridades para prestarem declarações sobre "agressões, tumultos e insurreições" de que poderão vir a ser acusados.

Num comunicado, o advogado de 467 lesados, Nuno da Silva Vieira, revela que se está a assistir "à notificação de lesados de papel comercial do BES para prestarem declarações na qualidade de denunciados relativamente a vários crimes" e que, "de acordo com os primeiros interrogatórios, os lesados poderão vir a ser acusados de agressões, tumultos e insurreições".

Para o advogado, esta ação das autoridades é uma "forma de intimidação", já que viola "um direito constitucional à manifestação", sublinhando que, "de acordo com a mais assente jurisprudência sobre o assunto, o direito à manifestação pode ser feito através de protestos na via pública, com voz, abrangendo gestos, emblemas insígnias, bandeiras, cantos, gritos, aclamações, entre outras formas sem que nunca se possa excluir o silêncio".

Nuno da Silva Vieira frisa que "as imagens que passam pela comunicação social têm mostrado pessoas erguidas na sua dignidade, muitas vezes empurradas e escorraçadas pelas forças públicas, muitas vezes assistidas por se esvaírem em sofrimento e nada mais".

O representante dos lesados do papel comercial do GES pede a "intervenção urgente das mais altas instâncias da governação e da República", afirmando que estão a ser atingidas "proporções desconformes com um Estado de Direito".

No entanto, Silva Vieira acrescenta que os lesados "irão apresentar-se para prestar declarações, com a máxima dignidade", mas não deixarão "de processar aqueles” que julgam “responsáveis por esta tentativa de silenciar vozes".