O Governo, o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) vão voltar a reunir-se hoje para tentar encontrar uma solução para o problema dos lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES).

O encontro vai realizar-se esta tarde, confirmou à Lusa fonte próxima das negociações, e é a segunda vez que as autoridades se juntam para abordar em conjunto o problema dos lesados que compraram papel comercial de sociedades do GES nos balcões do antigo BES, depois de já se terem reunido na quinta-feira da semana passada.

Na quarta-feira, representantes da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) do GES participaram numa reunião bilateral com o Banco de Portugal, naquela que foi a primeira vez que foram recebidos por elementos do regulador bancário.

No final dos trabalhos, a AIEPC disse aos jornalistas que acredita que será encontrada uma solução que permita recuperar parte do dinheiro investido e que poderá haver novidades em três semanas.

"Parece-nos que o processo terá um fim positivo, onde haja um ressarcimento das pessoas", disse Ricardo Ângelo, presidente da associação, considerando que poderá haver um esboço de acordo já entre duas a três semanas.

A questão dos lesados do papel comercial ganhou ainda mais ênfase depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter há uma semana censurado publicamente o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, por estar a "arrastar" uma solução.

Em junho de 2015, o governador do Banco de Portugal disse no parlamento que a solução para os lesados do BES tinha de vir da CMVM e não da entidade que dirige, uma vez que se tratam de valores mobiliários e não de depósitos e reafirmou que as responsabilidades pelos lesados do papel comercial do BES não podem ser atribuídas ao Novo Banco, mas sim ao próprio BES.

Desde que o Banco Espírito Santo (BES) foi alvo de uma medida de resolução, no verão de 2014, que clientes do retalho detentores de papel comercial do GES, que compraram os títulos aos balcões do BES, têm vindo a desenvolver várias ações com vista a recuperar o dinheiro investido.

De acordo com as informações recolhidas pela Lusa, são atualmente 2.040 os subscritores de papel comercial que reclamam cerca de 400 milhões de euros.