A associação dos emigrantes lesados do BES vai reunir-se esta terça-feira com a Presidência da República, numa altura em que espera a resposta do Novo Banco a um pedido de negociação com a mediação da CMVM.

Na Suíça, onde está esta segunda-feira, o chefe de Estado foi abordado na Suíça pelos lesados do BES, que querem ajuda para reaver o dinheiro que perderam. Marcelo Rebelo de Sousa prometeu atenção e fez um apelo para que os emigrantes continuem as remessas de dinheiro para ajudar Portugal.

Enrretanto, o presidente da Associação Movimento dos Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP), Luís Marques, disse à Lusa que há reunião marcada em Balém com o assessor económico da presidência, Hélder Reis.

Ainda assim, referiu também, há a hipótese de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a estar também presente.

Recentemente, a AMELP entrou com um pedido para que o Novo Banco aceite negociar uma eventual solução através da mediação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), um procedimento que o regulador dos mercados financeiros permite para conflitos sobre instrumentos financeiros que envolvam investidores não qualificados, caso dos emigrantes.

A reunião no Palácio de Belém segue-se aos encontros de 19 de setembro com responsáveis do Banco de Portugal e de 3 de outubro com a CMVM.

Segundo Luís Marques, o Banco de Portugal “comprometeu-se a dar orientação ao Novo Banco para que fosse dada uma solução aceitável” aos emigrantes, não só pelas preocupações com os casos particulares dos emigrantes mas também pelos eventuais efeitos negativos no país, nomeadamente nas remessas de emigrantes.

Já antes dos encontros com os reguladores, a AMELP tinha-se reunido com o advogado Diogo Lacerda Machado, representante do Governo, que terá mostrado o apoio do Executivo a uma solução negociada.

Luís Marques afirmou à Lusa que, de momento, a AMELP está empenhada nestas conversações, mas que se não houver desenvolvimentos voltarão às manifestações e ações de rua, além de que continuará a dizer aos emigrantes para não aplicarem dinheiro nos bancos portugueses: “Não vamos parar por aqui. Se virmos que no próximo mês não há desenvolvimentos vamos continuar, mas esperamos que agora haja bom senso”.