O advogado dos lesados do BES disse esta quarta-feira que os seus clientes estão satisfeitos com a possibilidade de a Fosun liquidar parcialmente o investimento, caso compre o Novo Banco, mas garantiu que continuarão em tribunal até recuperarem todo o dinheiro.

“Foi bem recebida a notícia da disponibilidade do grupo Fosun para liquidação parcial do papel comercial, caso venha a adquirir o Novo Banco”, afirmou hoje numa declaração escrita enviada à Lusa Nuno Vieira, advogado de 420 lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) comprado aos balcões do Banco Espírito Santo (BES).

Nuno Vieira acrescentou que espera que o “Banco de Portugal tenha, pelo menos uma vez, o bom senso de devolver a confiança ao sistema financeiro português, optando por uma solução que resolva o problema das pessoas”.

Ainda assim, reafirmou que, mesmo que haja uma solução parcial para os clientes lesados, continuarão os processos em tribunal até que recuperem o todo o valor que investiram.

“Os lesados de papel comercial não aceitam perder qualquer parte dos seus créditos. Por esse motivo, havendo liquidação parcial dos seus créditos - quer pela Fosun, quer por qualquer outra entidade - irão exigir a restante compensação por incumprimento do Estado Português”, garantiu.

O advogado que representa a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial do BES (AIEPC) interpôs este verão uma providência cautelar contra o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução, na qual os clientes exigem que o banco central informe o comprador do Novo Banco do montante de papel comercial devido aos cerca de 2.500 subscritores, que ronda os 530 milhões de euros, ou seja, que inclua esse montante como uma imparidade nas contas da instituição financeira.

O Banco de Portugal anunciou na terça-feira que terminou sem acordo o período de negociação com o potencial comprador do Novo Banco, apontado pela imprensa como sendo a chinesa Anbang.

A imprensa noticia entretanto que o supervisor vai agora negociar com o outro concorrente chinês, a Fosun, mantendo-se ainda uma terceira proposta vinculativa válida, a dos norte-americanos da Apollo.