O primeiro-ministro, António Costa, defendeu este sábado a criação de mecanismos de arbitragem para que se faça justiça aos emigrantes lesados do Banco Espírito Santo (BES), referindo que o Presidente da República acompanha o Governo nessa preocupação.

António Costa assumiu esta posição durante uma cerimónia ao ar livre em Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris, à qual assistiram dezenas de lesados do BES com cartazes pedindo a intervenção do Presidente da República e do Governo, que aplaudiram as palavras do primeiro-ministro.

A meio do seu discurso, o chefe do executivo do PS afirmou: "Permitam-me uma palavra particular àqueles que eu sei que neste momento se têm de bater na justiça contra uma grande injustiça que foi cometida".

Não compete ao Governo nem ao Presidente da República substituírem-se à justiça, mas sei que o Presidente da República acompanha o Governo na preocupação de criar os mecanismos de diálogo, os mecanismos de negociação, os mecanismos de arbitragem que permitam a todos aqueles que foram lesados verem os seus direitos tão satisfeitos quanto possível", acrescentou.

António Costa referiu-se ao BES como "um banco que faliu mas que, antes de ter falido, enganou milhares e milhares daqueles que, com todo o suor da sua vida, tinham amealhado algumas poupanças".

Não podemos também virar a cara, e tem de se fazer justiça à justiça que ainda também lhes é devida", defendeu.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursou em seguida e também falou brevemente na situação destes emigrantes, de forma indireta.

"Estaremos atentos aos problemas financeiros, económicos daqueles que apostaram em instituições financeiras portuguesas e que vivem hoje problemas que para muitos são problemas graves de economias perdidas, de poupanças que de repente desapareceram, de angústia, de preocupação relativamente ao futuro", disse o chefe de Estado.