Os lesados pelo Banif têm até esta quinta-feira para colocarem, via correio, ações em tribunal contra aqueles que consideram responsáveis pelas perdas que sofreram pelo investimento em produtos do banco.

A associação de lesados do Banif Alboa tem vindo a advertir os investidores que têm até 19 de dezembro para colocarem ações judiciais (podem ser notificações judiciais avulsas) contra entidades que considerem responsáveis pela venda de ações e obrigações do Banif, que com a resolução do banco acabaram por levar à perda dos investimentos.

Contudo, o presidente da Alboa, Jacinto Silva, em declarações à agência Lusa, avisa que para as ações judiciais enviadas por correio o prazo termina esta quinta-feira, uma vez que a correspondência tem de ser enviada até pelo menos cinco dias antes para que haja tempo de entrar no tribunal até à data-limite.

Também é possível entregar estes processos através da Internet, usando a plataforma Citius, mas neste caso é preciso ter atenção que o sistema pode apresentar problemas na submissão das ações, pelo que Jacinto Silva pede que os clientes garantam a entrega atempada com o seu advogado.

"Muita gente” não apresentou queixa

Entre as entidades contra as quais os lesados do Banif podem mover ações judiciais estão o próprio banco, administradores da instituição e as suas seguradoras, entre outras entidades ou pessoas que considerem responsáveis pela venda de produtos financeiros que lhes acarretaram perdas.

Questionado sobre se há muitos lesados que ainda não moveram ações em tribunal, o presidente da Alboa disse que “é muita gente”, mas sem conseguir precisar quantos são exatamente, e admitiu que é possível que lesados que não apresentem ações em tribunal possam ser deixados de fora de futuras soluções.

Depende de como decorram as negociações. (...) tenho receio de que as pessoas que não exerçam os seus direitos possam não vir a integrar um fundo de recuperação de créditos”, afirmou.

Em dezembro de 2014, o Banif foi alvo de uma medida de resolução, por decisão do Governo e do Banco de Portugal.

Desde então, investidores do banco têm andado em ‘luta’ por uma solução que os compense pelas perdas, desde acionistas a obrigacionistas subordinados.