O presidente da Associação de Lesados do Banif (ALBOA), Jacinto José Brito da Silva, disse esta terça-feira no parlamento que os próprios funcionários do Banif foram pressionados pela administração para subscreverem determinados produtos financeiros.

Questionado pelos deputados sobre a sua afirmação acerca da existência de técnicas agressivas de venda de determinados produtos financeiros e se a administração do banco teve responsabilidades, Jacinto José Brito da Silva foi perentório: "Relativamente a isso não tenho qualquer tipo de dúvida".

E, na comissão parlamentar de inquérito ao Banif onde foi hoje ouvido, acrescentou: "Por relatos de alguns ex-funcionários do Banif, eles próprios foram de tal forma pressionados pelos seus superiores do banco que hoje estão a sofrer grandes consequências, estão a pagar empréstimos, juros e não têm nada".

O presidente da ALBOA reforçou ainda que os responsáveis do banco "fizeram pressões sobre os seus próprios funcionários" e "obviamente obrigando-os junto dos clientes - aquelas pessoas que confiavam plenamente nestes funcionários - a subscreverem os produtos".

"Isso é mais do que evidente. Temos inúmeros casos de situações desse tipo."

Quem também falou na comissão parlamentar de inquérito foi o responsável pelo apoio direto aos lesados dos Açores, Carlos Martins, que, emocionado, relatou casos de pessoas a quem esta situação aconteceu.

Santander Totta deve apresentar solução em 4 semanas

À margem da comissão, Jacinto Silva adiantou aos jornalistas que o Santander Totta disse à associação que vai apresentar um conjunto de medidas que possam ser uma solução para os obrigacionistas subordinados.

"O banco disse-nos que nas próximas quatro semanas irá apresentar um conjunto de medidas que iremos analisar de forma rápida. Agora só estamos a aguardar."

A garantia terá sido dada na reunião que decorreu na última sexta-feira e que correspondeu à primeira ronda de negociações com o Santander Totta, que comprou a atividade bancária do Banif.

A ALBOA está em negociações com o Santander Totta para encontrar uma solução para os obrigacionistas subordinados do Banif, que ficaram no 'banco mau', que lhes permita recuperar o dinheiro investido.

Em causa estão 263 milhões de euros, não se sabendo ainda que valor poderá ser recuperado. As obrigações subordinadas são as últimas a serem pagas no caso de falência das entidades emitentes desses títulos de dívida.

A 20 de dezembro do ano passado, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não quis comprar.

O Banif S.A. ficou unicamente com as posições dos acionistas e dos obrigacionistas subordinados. Neste 'banco mau' - à semelhança do BES "mau" -ficaram ainda as operações que o banco tinha no Brasil e em Cabo Verde.

A Associação de Lesados do Banif trabalha ainda com clientes que investiram dinheiro em obrigações Rentipar (dos herdeiros do fundador do Banif, Horário Roque] e em ações Banif, a quem garante que "continuará a prestar assistência técnica e jurídica".