O ex-ministro socialista da Agricultura Capoulas Santos acusou hoje o Governo de incapacidade negocial com Bruxelas em relação ao pacote de emergência para o setor do leite uma vez que Portugal vai receber proporcionalmente menos do que Espanha.

De acordo com a informação divulgada terça-feira por Bruxelas, Portugal vai receber 4,8 milhões de euros de ajudas para apoiar o setor do leite e produtos lácteos, de um total de 420 milhões distribuídos por todos os Estados-membros.

Hoje, em declarações à agência Lusa, o cabeça de lista do PS por Évora às eleições legislativas, Capoulas Santos, comparou os envelopes financeiros atribuídos aos dois países ibéricos, explicando que “Espanha vai receber cinco vezes mais do que Portugal quando apenas produz três vezes mais do que o leite português, portanto vai receber proporcionalmente mais”.
 

“Isto revela uma clara incapacidade do Governo reclamar apoios pelo menos proporcionais ao dos outros Estados membros. É preciso fazer mais na frente europeia e é preciso utilizar todos os meios que a margem de manobra nacional permite e que o Governo já há vários meses se recusa a mobilizar”, criticou.


O antigo ministro da Agricultura e ex-eurodeputado recordou que em 2009, numa situação idêntica, “se verificou o envelope financeiro que foi atribuído a Portugal foi igual ao atribuído a Espanha”.

“O Governo, que esteve completamente distraído perante um problema que se avolumava aos olhos de toda a gente não utilizou a margem de manobra que tinha e agora em Bruxelas foi incapaz sequer de obter para Portugal meios equivalentes aos que a Espanha conseguiu mobilizar. Isso revela, do meu ponto de vista, incapacidade negocial do Governo para dar resposta a um problema com esta gravidade”, condenou.

Capoulas Santos explicou ainda que com “a conjugação do fim das quotas de leite, o embargo russo e alguma crise de pagamentos do Estado angolano, além de outros fatores, era previsível que o excesso de oferta dentro da União Europeia iria ter uma enorme pressão sobre o preços, fazendo-os descer”.

“No que diz respeito à escala nacional, o Governo viveu alegremente como se o problema não existisse há vários meses e basta dizer que no âmbito da Política Agrícola Comum existe a possibilidade de serem mobilizados alguns fundos do Programa de Desenvolvimento Rural que o Governo recusou fazer há três ou quatro meses quando apresentou o programa”, recordou ainda.


O candidato a deputado do PS evidenciou ainda que no programa eleitoral da coligação Portugal à Frente não há qualquer referência a esta questão e no programa do PS esta é uma das prioridades.