Em dia de votação final global do Orçamento do Estado para 2016, Portugal foi ao mercado tentar obter financiamento de curto prazo. E conseguiu, arrecadando até mais do que o previsto.

Nos dois leilões, a seis e 12 meses, o Tesouro emitiu um total de 1728 milhões de euros de dívida, segundo a Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida (IGCP). No prazo mais curto, um empréstimo que vence a 23 de setembro de 2016, a taxa até subiu ligeiramente em relação ao último leilão (em janeiro, tinha conseguido uma taxa negativa de 0,013% dos BT), mas desta vez foi mesmo assim muito baixa, de 0,009%.

Nesta linha, foram conseguidos 443 milhões de euros e a procura foi 2,14 vezes a oferta, ou seja, sensivelmente o dobro.

Já no leilão a 12 meses, empréstimo a ser pago até 17 de março de 2017, a taxa baixou em relação ao leilão de fevereiro, de 0,1% para 0,05%. Aqui, o montante emitido foi no valor de 1285 milhões de euros, com uma procura 1,38 vezes a oferta.

Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa: salienta que Portugal "continua a conseguir emitir a taxas quase de zero e com níveis de procura muito razoáveis", o que  "é sempre de saudar".

"Emitir a taxas próximas de zero, para um país que tem problemas estruturais na sua economia é de aproveitar. Daí que se compreenda que o montante de dívida emitida até tenha sido superior ao previsto: foram recolhidos pelo IGCP  1728 milhões de euros, quando o objetivo era de até 150 milhões. Continuamos, é certo, a beneficiar da proteção do BCE quer agora, além de comprar divida soberana, passou a comprar também dívida de empresas não bancárias”