A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP lançou hoje mais dois leilões da dívida pública. Portugal voltou hoje ao mercado para duas emissões de custo prazo, de três e 11 meses, e colocou 1.250 milhões de euros, atingindo o objetivo máximo de colocação destes Bilhetes do Tesouro mas pagou juro mais elevado em ambas.

Na emissão mais curta, a três meses, foram colocados 350 milhões de euros com os juros a passarem para -0,012% face aos - 0,108% da última emissão comparável. A procura superou em 3,43 vezes a oferta, maior que as duas vezes da última emissão.

Já no leilão a 11 meses, formam colocados 900 milhões, com os juros a subirem de - 0,014% para 0,006%. Neste caso a procura superou a oferta em 1,91 vezes, comparado com 1,6 vezes anteriores.

Em declarações à TVI, Marisa Cabrita, gestora de ativos da Orey Financial, disse que "no leilão de dívida de curto prazo realizado hoje pelo IGCP, sem surpresas, a yield exigida pelos investidores foi superior à observada nos leilões realizados no mês de setembro e agosto, embora com um bid to cover mais elevado, nomeadamente a 3 meses. O leilão reflete uma procura robusta por yield por parte dos investidores, bem como a gestão dos custos de financiamento por parte do IGCP, uma vez que os montantes colocados foram inferiores".

Ao resultado do leilão não é, no entanto, alheia a revisão do cenário económico apresentada na passada sexta-feira, com o Orçamento de Estado para 2017, onde o Governo estima um crescimento de 1.2% e a expectativa sobre a revisão do rating da República Portuguesa pela DBRS já na próxima sexta-feira", acrescenta a gestora de ativos da Orey Financial.

Já Filipe Silva, responsável do mercado de dívida do Banco Carregosa, diz que "apesar das taxas terem subido ligeiramente face às últimas emissões de dívida, acho que foi um ‘non event’. Esta mexida vem a acompanhar a evolução que tem havido nas taxas da dívida europeia. Até a dívida alemão, a 10 anos, subiu de taxas negativas para taxas positivas".

E conclui: "não estávamos à espera nem se verificou qualquer stress sobre a proximidade da decisão da DBRS em rever ou não o rating da dívida da República portuguesa. Aliás, se fosse caso para isso, a dívida que mais seria afetada seria a dívida de longo prazo que  até tem visto as taxas descer.