A UGT deixou esta quarta-feira «alertas» ao PS sobre o seu cenário macroeconómico, designadamente em matéria de legislação laboral, e advertiu que a reforma da Segurança Social não pode ser feita com o ruído de uma campanha eleitoral.

Carlos Silva, secretário-geral da UGT, falava no final de uma reunião com o secretário-geral do PS, António Costa, e com Mário Centeno, que coordenou o grupo de trabalho de economistas que preparou para os socialistas o cenário macroeconómico, intitulado «Uma década para Portugal».

«Não se pode fazer uma reforma da Segurança Social no meio do ruído de uma campanha eleitoral. A última reforma, em 2008, foi construída num amplo consenso entre os parceiros sociais, que não entram na vida político-partidária», disse Carlos Silva.

O secretário-geral da UGT elogiou alguns aspetos da proposta constante no cenário macroeconómico do PS para a redução progressiva e temporária da taxa social única (TSU) dos trabalhadores e dos empregadores, designadamente por proporcionar maior poder de compra às famílias, mas manifestou-se também apreensivo com «a volatilidade» prevista para compensar financeiramente a previsível perda de receita do sistema público de Segurança Social.

«Deixámos aqui alguns alertas em relação a algumas matérias. Esta central sindical, apesar de optar pela moderação e de privilegiar o diálogo, não pode deixar de suscitar algumas preocupações, desde logo em relação ao mercado de trabalho», disse.

Carlos Silva afirmou acreditar na «boa-fé» do conjunto de propostas preparadas pelo grupo de economistas do PS em matéria de combate à precariedade laboral, mas advertiu que «não se pode abrir a porta às empresas para avançarem para despedimentos».