Os acordos finais que vão ser assinados no âmbito da reunião de líderes dos vinte países mais industrializados (G20) estão consensualizados a 99%, assegurou uma responsável da delegação russa, Kseniya Yudáyeva, citada pela agência de notícias espanhola EFE.

«Os documentos estão consensualizados a 99,99%, só faltam três pormenores, porque conseguimos tratar tudo o que queríamos, e até mais, uma vez que os países aceitaram assumir compromissos adiados anteriormente em determinados assuntos», assumiu a responsável, sem pormenorizar quais os temas ainda pendentes.

Esta tarde, no primeiro encontro, os responsáveis dos países mais industrializados, e que representam cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, vão reunir-se tendo na agenda o estado da economia mundial, as reformas do setor financeiro e a sua nova arquitetura, e a política orçamental.

A cimeira dos líderes do G20 começa hoje em São Petersburgo, Rússia, encontro agendado para discutir a recuperação e o crescimento económico, mas que poderá ficar marcado pelas manobras diplomáticas para uma eventual intervenção militar na Síria.

A guerra civil síria e a eventual intervenção internacional contra o regime de Bashar al-Assad, acusado por alguns países de utilizar armas químicas, não constam da agenda oficial do encontro do G20, que vai decorrer até sexta-feira na antiga capital imperial russa.

Já hoje, o presidente do Conselho Europeu indicou, em São Petersburgo, que, neste momento, a França é o único Estado-membro da União Europeia pronto a participar em eventuais ações militares na Síria, mas garantiu que a Europa busca uma posição coletiva.

Ao ser questionado, durante uma conferência de imprensa a anteceder a reunião do G20, sobre as diferentes posições dos Estados-membros relativamente a uma ação militar contra o regime de Damasco, Herman van Rompuy disse que, «antes de mais, todos os países, grandes e pequenos, têm um debate interno sobre a Síria» e, «em segundo lugar, há que fazer uma distinção entre aqueles que querem participar e aqueles que estão a preparar uma determinada posição política relativamente a eventuais ataques», citado pela Lusa.

«A atenção dos líderes (¿) será focada principalmente em questões para assegurar o crescimento económico e a estabilidade financeira, a criação de emprego de qualidade e o combate ao desemprego, a procura de novas fontes de crescimento e de financiamento de investimento, bem como no fortalecimento do comércio multilateral e na assistência ao desenvolvimento internacional», referiu um comunicado oficial do encontro, que será um dos principais momentos da presidência russa do G20.

Do encontro dos líderes internacionais deverá sair o Plano Integral de Ação de São Petersburgo, que vai incluir medidas coordenadas para a criação de emprego e para o impulso do crescimento económico global, e um ambicioso plano de ação contra a evasão fiscal das multinacionais elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Em destaque vai estar igualmente um dos assuntos que mais preocupa as economias emergentes: a possível redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos através da flexibilização quantitativa, uma medida de política monetária que é usada por alguns bancos centrais, como é o caso da Reserva Federal norte-americana, para injetar dinheiro na economia e assim estimular o seu crescimento.

As economias emergentes, principalmente o grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), temem que o fim destes estímulos provoque uma acentuada fuga de capitais especulativos dos seus países, que poderia ser agravada por um virtual encarecimento do preço do dólar.