A KPMG auditou as contas do BES a partir de 2002. E, tal como o seu presidente, Sikander Sattar, que já se tinha mostrado de consciência tranquila pelo trabalho desenvolvido, também Inês Viegas, uma responsável e sócia da KPMG, entende que os auditores fizeram o que lhes competia e não podem ser responsabilizados pelo colapso do banco.

«O que falhou não foram os auditores, claramente. Tivemos um papel importante desde o início do processo. Procedemos como tínhamos de proceder»

A responsável, que auditou as contas da ESI, a pedido do Banco de Portugal, na reta final de 2013, início de 2014, fez questão de frisar, esta quarta-feira, na comissão de inquérito parlamentar ao BES/GES, que os auditores «são responsáveis pela opinião que emitem sobre as contas». Não pelas contas em si que são, sim, «da responsabilidade do conselho de administração», assinalou.

No entender de Inês Viegas, os últimos meses antes do colapso foram «críticos» para o desfecho que culminou na resolução do Banco de Portugal, que dividiu o banco em dois - bom, o Novo Banco, e o mau, para onde foram os ativos tóxicos. Mesmo quanto às próprias cartas de conforto passadas pelo BES a dois investidores venezuelanos da PDVSA, em junho de 2014 - e que acabaram por resultar em elevadas imparidades para o banco, agravando os elevados prejuízos do primeiro semestre de 2014 -, a KPMG mostrou as suas reservas, numa reunião com o BES.

«Tivemos conhecimento das cartas de conforto, numa reunião, salvo erro a 4 de julho», especificou Inês Viegas, em resposta à deputada do CDS-PP, Teresa Anjinho. E continuou:

«As cartas tinham uma natureza que vinculava o banco». «De todos os pareceres que existiam e, de toda a opinião que o Dr. Rui Silveira [ex-administrador do BES] foi transmitindo, havia uma contingência» evidente. «O próprio BES concluiu que deviam ser provisionadas. Não fui eu que achei. O banco achou e eu também»

Inês Viegas contrariou, ainda, parte da versão do presidente da PwC, que auditou as contas do BES até 2002. José Alves garantiu aos deputados, na sua audição, a 20 de janeiro, que a sua auditora «passou toda a informação» e «reservas na aceitação do cliente» à KPMG. Esta responsável assegura que não foi assim.