A sócia da KPMG, Inês Viegas, foi responsável pela auditoria às contas da Espírito Santo Internacional, a mando do Banco de Portugal, na reta final de 2013. 

Garante que o BES não tinha exposição à ESI até 31 de dezembro de 2013. Foi essa holding de topo que vinha ocultando o passivo, pelo menos desde 2008, e que precipitou a derrocada do Grupo Espírito Santo e, por essa via, o colapso do BES no verão de 2014.

O resumo da audição em 5 pontos:

1 - PwC não informou a KPMG sobre a «preocupação» que tinha em relação às contas da ESI, em 2002, altura em que lhe passou a pasta de auditoria. Desmente, assim, o presidente da PwC que garantiu que passou «toda a informação», incluindo as «reservas de aceitação do cliente»

2 - Não conhece o tal relatório de 2001, onde essas reservas estão patentes. Garantiu que teve conhecimento dele apenas através da imprensa e não pela PwC

3 - Recusa responsabilizar os auditores pelo colapso do grupo e do banco: «Não foram os auditores que falharam, claramente». E, lembrou, quem audita é apenas «responsável pela sua opinião sobre as contas». A responsabilidade das contas, em si, «é do conselho de administração». Por essa via, depreende-se que é de Ricardo Salgado

4 - Banco Espírito Santo não tinha exposição à ESI a 31 de dezembro de 2013. «Havia dívida, e isso é claro, quer da ESFG, quer do BES» a entidades do GES. Mas do banco «era residual». Só que, no primeiro semestre de 2014, a situação «mudou e bastante»: o risco reputacional passou a risco de exposição direta. Últimos meses desse ano foram «críticos» para o desfecho 

5 - KPMG mostrou reservas quanto às cartas de conforto passadas pelo banco, em junho de 2014, à Venezuela, que resultaram em elevadas imparidades refletidas nos resultados apresentados a 30 de julho. Mas o próprio banco também as tinha: «As cartas tinham uma natureza que vinculava o banco». «De todos os pareceres que existiam e, de toda a opinião que o Dr. Rui Silveira [ex-administrador do BES] foi transmitindo, havia uma contingência» evidente. «O próprio BES concluiu que deviam ser provisionadas. Não fui eu que achei. O banco achou e eu também» 

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«O que falhou não foram os auditores, claramente»